Nara Andrade é pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFJF. (Foto: Kaio Lara)
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Pesquisadoras da UFJF enfatizam a relevância do cuidado na primeira infância

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O acompanhamento da saúde e do desenvolvimento infantil na primeira infância é crucial para identificar necessidades e prevenir problemas. Este período, que antecede os primeiros sinais de desenvolvimento, é fundamental para garantir que cada etapa da criança seja vivenciada de forma adequada.

A professora Nara Andrade, do Departamento de Psicologia da UFJF, destaca que a relevância dos primeiros anos não implica em uma visão determinista do desenvolvimento. Segundo a UFJF, o cérebro possui grande plasticidade nessa fase, facilitando a adaptação e o aprendizado.

No entanto, essa plasticidade cerebral não determina o futuro da criança, pois o cérebro mantém sua capacidade de adaptação ao longo de toda a vida. As infâncias são diversas, ocorrendo em diferentes contextos territoriais, culturais, familiares e sociais.

Essas diferenças impactam diretamente o desenvolvimento infantil. Nara Andrade enfatiza a importância da qualidade das experiências e relações construídas para as crianças, em vez de focar apenas na quantidade ideal de estímulos oferecidos pelos adultos.

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Do ponto de vista científico, a violação dos direitos da criança ou a ausência de sistemas de proteção podem expô-la ao “estresse tóxico”. De acordo com a pesquisadora, o ambiente em que a criança está inserida é determinante.

Todas as experiências, desde as oportunidades até as desigualdades enfrentadas, influenciam profundamente o desenvolvimento. Garantir os direitos das crianças significa protegê-las da violência, negligência, insegurança alimentar e outras formas de desigualdade.

O acesso à moradia, alimentação adequada, saúde e educação de qualidade são elementos que contribuem para a formação. Promover o desenvolvimento infantil envolve a construção coletiva de contextos que acolham as diversas infâncias.

Cuidados e direitos na primeira infância

A médica pediatra e professora da UFJF, Sandra Tibiriçá, reforça a importância dos primeiros 72 meses de vida da criança para seu desenvolvimento. Ela defende uma análise multifatorial, considerando aprendizado, sono, vacinação, alimentação, brincadeiras, contato afetivo, convivência familiar e segurança.

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O acompanhamento profissional de saúde é essencial. Consultas regulares permitem observar se a criança atinge os marcos esperados para cada idade e identificar possíveis sinais de alerta. Sandra Tibiriçá explica que a consulta pediátrica vai além de medir e pesar.

O pediatra acompanha reflexos, questões neuropsicológicas e outros sinais relacionados ao desenvolvimento infantil, garantindo que diversas áreas do comportamento da criança estejam alinhadas. Para assegurar os direitos básicos das crianças, família, sociedade e Estado precisam atuar em conjunto.

A Constituição Federal de 1988, no Artigo 227, estabelece a proteção integral da criança, determinando que família, sociedade e Estado garantam, com prioridade absoluta, vida, saúde, segurança, educação e dignidade. O Estatuto da Criança e do Adolescente e o Marco Legal Pela Primeira Infância são instrumentos legais brasileiros.

Em Juiz de Fora, o Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) integra a política nacional. Sandra Tibiriçá é coautora do PMPI, e o desafio atual é transformar os direitos previstos em lei em políticas públicas efetivas para as crianças.

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Marcos de desenvolvimento e sinais de alerta

Cada fase da primeira infância é marcada por novas descobertas, como sentar, engatinhar, andar e explorar o ambiente. Embora existam expectativas para o surgimento de habilidades em cada faixa etária, o processo não ocorre de forma idêntica para todas as crianças.

Os marcos do desenvolvimento servem como referências para profissionais e familiares acompanharem a evolução da criança. Eles auxiliam na observação da aquisição gradual de novas habilidades e da ampliação da capacidade de interação com o corpo e o ambiente.

A professora Rayla Lemos, da Faculdade de Fisioterapia da UFJF, aponta marcos que podem ser observados pelos cuidadores. Nas primeiras semanas, o bebê deve levantar ou virar a cabeça quando de bruços para liberar o nariz.

Com o avanço dos meses, a criança interage visualmente, sorri e começa a reconhecer o próprio nome. Ao final do terceiro mês, geralmente controla a cabeça, e até os nove meses, consegue sentar sem apoio.

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Por volta dos 12 meses, a criança começa a andar, embora algumas possam fazê-lo aos 11 ou até os 15 meses. Rayla Lemos alerta que a ausência dessa capacidade nesse período é uma “variação importante” e requer avaliação especializada.

O ritmo individual de desenvolvimento da criança não deve ser confundido com atraso significativo. É fundamental observar se a criança perdeu alguma habilidade em qualquer fase, como parar de engatinhar ou sentar.

A observação familiar colabora com o desenvolvimento da criança e com o trabalho dos profissionais que a acompanham. A primeira infância é um período sensível para o aprendizado e a aquisição de habilidades.

Quando uma necessidade da criança não é identificada adequadamente, pode haver falta de estímulos ou desenvolvimento insatisfatório. Isso não impede a aquisição futura da habilidade, mas pode exigir maiores esforços.

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Observar, acompanhar e garantir os direitos da criança na primeira infância otimiza o potencial de aprendizado e reduz a chance de lacunas no desenvolvimento.

Exposição Primeiras Infâncias Brasileiras

A relevância do tema resultou na exposição “Primeiras Infâncias Brasileiras”, em cartaz no Solar Fábio Prado, em São Paulo, até 20 de setembro. A programação gratuita inclui oficinas, vivências e atividades para crianças e adultos, unindo arte, brincadeira, natureza e informação.

Nara Andrade integrou o grupo de curadores da exposição, contribuindo com a perspectiva das neurociências do desenvolvimento. Ela destaca a importância de abordar o neurodesenvolvimento em conjunto com os contextos em que as crianças vivem.

A professora explica que o encontro entre arte, ciência e cultura amplia a capacidade de transformar realidades sociais e garantir os direitos de todas as crianças. A representação da UFJF nesse grupo de curadores foi significativa, levando a contribuição da universidade pública e da ciência para um diálogo potente com a sociedade.

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Os visitantes são convidados a revisitar os primeiros anos de vida pela perspectiva das crianças, por meio de instalações audiovisuais, experiências sensoriais e atividades interativas. Além da exposição, o público participa de oficinas, atividades corporais e rodas de conversa.

Essas atividades promovem a troca de experiências de criação, descoberta e escuta entre crianças e adultos.

Outras Informações

Primeiras infâncias brasileiras

Fundação Maria Cecília

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