O Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Família e Violência (Nifram) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em Governador Valadares, Minas Gerais, desempenha um papel central na Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (GAR). A atuação do Nifram, um projeto de extensão universitária, é fundamental para a articulação e o funcionamento da rede, que se tornou referência no estado.
A docente Juliana Goulart, coordenadora do Nifram, relata que a formação da rede envolveu visitas a diversas instituições. Segundo ela, o processo demandou dedicação para sistematizar as informações, mas encontrou receptividade entre os envolvidos. A confiança na universidade foi um fator importante para a colaboração.
De acordo com a promotora Carla Regina Goulart Salaro Duvanel, a credibilidade da UFJF-GV e seu rigor científico são essenciais para o GAR. A universidade oferece apoio técnico e estrutural, atuando como um órgão neutro que conecta as instituições de forma isenta. Isso proporciona segurança para que todos os membros da rede desempenhem suas funções.
A promotora enfatiza que a atuação do Nifram é indispensável para a rede. “Não vejo o GAR sem o Nifram”, afirma Carla. A parceria com a UFJF-GV garante a continuidade e a eficácia das ações de enfrentamento à violência doméstica em Governador Valadares.
Ao longo de oito anos, o GAR consolidou-se como referência em Minas Gerais no combate à violência doméstica. A experiência do grupo tem sido utilizada por outras redes no estado, incluindo aquelas focadas em infância, juventude e execução penal, para a criação e configuração de suas próprias estruturas.
Promotora de Justiça de Governador Valadares, Carla Regina, durante cerimônia de instalação do Banco Vermelho na UFJF-GV. (Imagem: Dionatam Fonseca)
A promotora avalia que a atuação técnica da UFJF é um dos fatores responsáveis por essa conquista. A universidade auxilia na capacitação dos integrantes da rede, na preparação de ações sociais e seminários, na confecção de materiais e no estabelecimento de um protocolo único de atendimento às mulheres.
Este protocolo visa evitar a revitimização e a violência institucional. A promotora destaca que o Nifram é uma base do GAR, e o apoio da UFJF torna a rede de Governador Valadares uma referência no estado.
GAR se torna lei municipal
Um diferencial do GAR é sua abordagem ampla e multiprofissional sobre a violência contra as mulheres. A rede de Governador Valadares integra órgãos que atendem tanto as vítimas quanto os agressores, conforme explica a coordenadora do Nifram.
Juliana Goulart afirma: “Trabalhamos a rede de maneira mais completa, entendendo que é um problema que só existe porque há quem agride. Então, Não há como entender a violência contra as mulheres só sob a perspectiva feminina. Inclusive, antigamente era rede de atendimento às mulheres vítimas de violências. E houve a inserção do Programa Central de Acompanhamento de Alternativas Penais (Ceapa), exatamente por entender essa ideia de maior completude em relação ao tema, e passou a ser rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Por isso, o mapeamento dos fluxos que estamos fazendo para a rede não é só em relação ao atendimento às mulheres, mas também em relação aos homens. A gente discute sob as perspectivas feminina e masculina. Inclusive, o Ceapa é um órgão bastante atuante, que traz essa perspectiva de como a rede pode trazer os homens para todas essas pautas que a gente trabalha no dia a dia”.
A inclusão do GAR na legislação municipal de Governador Valadares, por meio da Lei Ordinária n.º 7.794, em 10 de abril de 2025, é um fator que o diferencia. Essa medida garante que o grupo se torne uma política pública permanente, independentemente das mudanças de governo.
Juliana Goulart comemora: “Conseguimos transformá-lo em lei, para que seja uma política pública permanente. Independente de quem entra e quem saia, ele continua ali”. Essa institucionalização confere maior estabilidade e continuidade às ações do GAR.
Nifram e o papel da extensão universitária
O Nifram, ao atuar na criação e governança da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Governador Valadares, cumpre o papel da universidade pública. Ele promove a troca de conhecimentos com a sociedade e gera produtos a partir das necessidades do território.
Juliana e Goulart e a estudante durante uma das ações sociais promovidas pelo GAR em março de 2020. (Imagem: Sebastião Junior)
Juliana Goulart afirma: “Com o início do Nifram, conseguimos perceber a presença de uma das diretrizes importantes da extensão, que é a interação dialógica. Conseguimos alinhar os saberes entre comunidade e universidade, de forma que não haja sobreposição e hierarquização desses saberes. É uma demanda da comunidade que o programa faça esse trabalho e é uma demanda da universidade poder atuar e colaborar com a comunidade”.
A interação promovida pelo Nifram beneficia os estudantes do campus, que adquirem uma formação diversificada e humanizada. A participação no programa proporciona uma experiência prática e enriquecedora, alinhada com as demandas sociais.
Para mais informações sobre o Nifram, acesse a página do programa.
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