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Aumento no déficit de professores no Brasil e projeções para 2040

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O corpo docente da educação básica no Brasil está envelhecendo e enfrenta dificuldades de renovação. Atualmente, existe um professor com 24 anos ou menos para cada três com 60 anos ou mais. Os dados são de uma pesquisa do Instituto Semesp, divulgada nesta quarta-feira (16), que aponta a precarização do trabalho e os baixos salários como principais causas para o cenário, que pode se agravar nos próximos anos.

O alerta faz parte da pesquisa “Apagão dos professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil”, do Instituto Semesp. O levantamento foi divulgado durante o 28° Fórum Nacional de Ensino Superior Particular (Fnesp), em São Paulo. De acordo com o jornal O Tempo, os números mostram que há cerca de 10,7 mil professores jovens para 61,9 mil docentes idosos, enquanto em 2015 a proporção era de um para um.

A projeção futura indica um cenário mais acentuado. “Esse cenário promete ser ainda mais dramático no futuro. O Brasil deverá ter um professor com 24 anos ou menos para cada seis professores com 60 anos ou mais até 2040”, aponta Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp. No ensino médio, a queda no número de professores com até 24 anos foi de 31,1% entre 2015 e 2025.

No mesmo período, o contingente de docentes com 60 anos ou mais registrou um aumento de 104,5%, subindo de 18,2 mil para 37,3 mil, segundo os dados apresentados pelo instituto. Para Capelato, essa falta de renovação gera um desequilíbrio no sistema educacional, pois a experiência dos mais velhos precisa ser combinada com a inovação e a vivência dos mais jovens para uma melhor conexão com os alunos.

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Consequências da falta de renovação

Outra questão apontada pelo diretor executivo é a falta de professores em diversas áreas, o que leva à improvisação em sala de aula. “Já se vê uma improvisação, como professores de geografia tendo que dar aula de história ou professores de matemática ensinando física. Isso gera uma queda de qualidade na formação dos alunos”, diz. Essa deficiência na educação básica pode impactar o acesso ao ensino superior.

“O problema vai além. Quando ele tem uma formação ruim, a chance dele não ir para o ensino superior também é muito grande. Com a precariedade, o aluno está totalmente desestimulado”, detalha Capelato. Segundo dados citados por ele, somente 27% dos alunos de ensino médio da rede estadual entram no ensino superior, por exemplo, o que evidencia os efeitos da qualidade da formação inicial.

Precarização e desvalorização profissional

A pesquisa indica que o problema não é a falta de professores, pois o número total na educação básica cresceu 10,1% na última década, de 2,18 milhões para 2,40 milhões. A questão central, segundo o estudo, é o aumento de contratos temporários. Esse modelo de vínculo de trabalho mais precário afasta os profissionais mais jovens da carreira docente, enquanto atrai aqueles em idade mais próxima da aposentadoria.

“Os contratos temporários permitem às redes preencher vagas e responder rapidamente às demandas de curto prazo, mas não têm a mesma estabilidade dos cargos efetivos. Esse tipo de contratação aumenta a dependência de vínculos mais precários”, aponta a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira. Entre 2015 e 2025, o número de professores temporários no ensino médio da rede pública cresceu 40,4%, enquanto os concursados diminuíram.

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Salários e outros desafios

A remuneração também é um desafio. Em 2025, o salário médio de um professor de ensino médio era de R$ 6,5 mil, valor que corresponde a 80% da renda média de outros profissionais com ensino superior (R$ 8,1 mil). A remuneração varia conforme a disciplina, sendo R$ 5,7 mil para matemática e R$ 4,1 mil para filosofia, por exemplo, o que afeta a atratividade de certas licenciaturas.

De acordo com o jornal O Tempo, a pesquisa do Instituto Semesp também identificou outros fatores que desestimulam a profissão. Entre os docentes ouvidos, 79,4% afirmaram já ter pensado em desistir da carreira. Outras queixas incluem:

  • Falta de valorização e estímulo à carreira (74,8%);
  • Falta de disciplina e interesse dos alunos (62,8%);
  • Falta de apoio e reconhecimento da sociedade (61,3%);
  • Baixo envolvimento das famílias (59%).

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