Em um cenário de estímulos digitais constantes, estudantes enfrentam dificuldades para manter a concentração nos estudos. A recompensa de longo prazo da aprovação em vestibulares compete com a gratificação instantânea de redes sociais. De acordo com informações do jornal O Tempo, o professor Ronaldo Carrilho, do Sistema Anglo de Ensino, explica que o foco é uma habilidade que pode ser desenvolvida com técnicas específicas.
O uso de redes sociais e jogos libera dopamina de forma rápida, acostumando o cérebro a recompensas imediatas. Em contrapartida, o estudo oferece um retorno a longo prazo, o que pode levar à percepção de que a atividade é menos interessante. Essa comparação pode dificultar o engajamento do estudante com o conteúdo, tornando o processo de aprendizagem mais desafiador.
Outro fator que prejudica a concentração é a antecipação da grande quantidade de matéria a ser estudada. Segundo o professor Ronaldo Carrilho, essa pressão pode gerar ansiedade. “A ansiedade ativa o cérebro e o coloca em modo de ‘luta ou fuga’, fazendo com que a parte racional, responsável pelo foco, seja prejudicada. O resultado é a mente vagando”, explica.
Diante deste cenário, é importante entender que o foco é uma habilidade que pode ser treinada. Carrilho sugere que a prática da meditação pode ajudar a conduzir a mente a um estado de maior tranquilidade. Desenvolver o foco significa adquirir a capacidade de retomar a atenção para um objetivo sempre que a mente se dispersa, um processo que exige prática e constância.
“Assim como um corredor não consegue percorrer uma maratona sem treinar, o cérebro não mantém o foco por horas se não for condicionado. Ele perde o ‘condicionamento’ para se engajar em uma tarefa única e prolongada. Assim, quando tentam estudar por 30 minutos seguidos, é como pedir para um velocista correr 10 km: a resistência simplesmente não existe”, compara o professor.
## Técnicas para aumentar o foco e o tempo de estudo
Para auxiliar os estudantes, o professor Ronaldo Carrilho, conforme apurado pelo jornal O Tempo, apresentou cinco estratégias práticas que podem contribuir para ampliar o tempo e a qualidade do estudo. A primeira é uma adaptação do método Pomodoro, sugerindo ciclos de 50 minutos de estudo intenso seguidos por 10 minutos de pausa. A cada quatro ciclos, a recomendação é fazer uma pausa maior, de 30 minutos.
O controle dos estímulos digitais também é fundamental. A orientação é colocar o celular em modo avião e guardá-lo fora do alcance, como em outro cômodo. Para quem estuda no computador, o uso de extensões de foco pode ajudar. Também é sugerido estabelecer horários fixos para verificar redes sociais, como após a conclusão de alguns ciclos de estudo.
É recomendado planejar metas diárias de performance, e não apenas de tempo. Em vez de apenas definir que vai estudar por duas horas, o estudante deve estabelecer objetivos específicos e mensuráveis. Por exemplo: “resolver 20 questões de Matemática sobre logaritmos” ou “ler e resumir três páginas de Literatura”, o que torna o estudo mais direcionado.
Intercalar matérias é outra estratégia para manter a mente engajada. Estudar a mesma disciplina por um período prolongado pode levar a uma queda na retenção de conteúdo após a primeira hora. A sugestão é alternar entre diferentes áreas do conhecimento, como passar de uma matéria de exatas para uma de humanas, para manter o cérebro estimulado.
Por fim, a prática do estudo ativo é indicada para desafiar o cérebro e manter o foco. Em vez de apenas ler e reler o material, o que pode gerar uma falsa sensação de aprendizado, o estudante deve se engajar ativamente. Tentar explicar o conteúdo em voz alta, como se estivesse ensinando alguém, ou usar fichas de perguntas (flashcards) são formas de aplicar a técnica.
