**Mulheres na proteção das Unidades de Conservação federais**
A participação feminina na proteção das Unidades de Conservação (UCs) federais tem avançado no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em dezembro, o 1º Seminário de Mulheres na Proteção das UCs Federais, realizado no Parque Nacional do Iguaçu (PR), reuniu servidoras para discutir desafios e ampliar a liderança feminina na fiscalização ambiental e no Manejo Integrado do Fogo (MIF).
De acordo com o ICMBio, o evento foi organizado pelo Coletivo Jacarandá, com apoio de setores como a Diretoria de Criação e Manejo de UCs e o Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF). O objetivo foi fortalecer a atuação das mulheres em uma área historicamente dominada por homens.
Desafios e números
Apesar dos avanços, a participação feminina ainda é baixa. Dos 1.060 fiscais portariados no ICMBio, apenas 364 são mulheres. Em 2025, das 709 operações registradas, apenas 132 foram coordenadas por mulheres. No MIF, cerca de 10% das contratações de brigadistas entre 2020 e 2025 foram mulheres, e apenas 25 mulheres foram contratadas como chefes de esquadrão.
Simone Nogueira dos Santos, servidora desde 2005, relatou desafios adicionais por ser mulher, negra e jovem na época de sua entrada. Segundo ela, a aceitação e a necessidade de provar competência foram obstáculos comuns.
Iniciativas para equidade
O Coletivo Jacarandá identificou questões como liderança, maternidade, machismo e assédio como barreiras para as mulheres. “A instituição precisa incluir a pauta de gênero em seus processos”, afirmou Salomé Sarachu, integrante do coletivo.
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, destacou o compromisso com a equidade de gênero. “A desigualdade não é destino, mas algo construído no dia a dia”, disse durante o seminário.
Maternidade e carreira
Rita de Cássia, servidora do CEMIF, participou do curso de formação de instrutores de brigada, que pela primeira vez reservou vagas para mulheres. Ela ressaltou a importância de iniciativas que considerem diferentes realidades, como a maternidade.
Jackeline Spíndola, servidora do Núcleo de Gestão Integrada, destacou que o apoio institucional é essencial para que mães continuem atuando em campo. “A instituição pode se preparar melhor para apoiar as servidoras”, afirmou.
