A vacinação contra o HPV em Minas Gerais apresenta desigualdades entre municípios e menor alcance entre meninos, segundo estudo do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (Opesv) da UFMG. De 2014 a 2022, apenas 9,96% dos adolescentes mineiros de 9 a 14 anos receberam as duas doses recomendadas.
De acordo com a pesquisa, que analisou os 853 municípios mineiros, cinco perfis distintos foram identificados. Algumas cidades combinam alta cobertura vacinal e melhores condições socioeconômicas, enquanto outras enfrentam baixa adesão associada à pobreza e acesso limitado à saúde.
Segundo a UFMG, fatores como baixa escolaridade dos pais, falta de educação em saúde e percepção reduzida de risco impactam negativamente a vacinação. A professora Fernanda Penido, coordenadora do estudo, destaca que o HPV está comprovadamente ligado a diversos tipos de câncer.
Dados sobre a cobertura vacinal
O estudo revelou que apenas 9,73% dos municípios alcançaram a meta de 80% de cobertura para a primeira dose entre meninos. Entre as meninas, 77,49% dos municípios atingiram esse patamar. No geral, 37,51% das cidades mineiras alcançaram cobertura adequada para a primeira dose.
Os pesquisadores identificaram cinco grupos distintos. O primeiro, com 259 municípios, mostrou alta urbanização e cobertura, mas dificuldades na vacinação masculina. Outros grupos apresentaram baixa cobertura associada à pobreza ou fragilidades no sistema público de saúde.
Fernanda Penido sugere que a menor adesão entre meninos pode estar relacionada a fatores culturais e percepção de risco. A urbanização, segundo a pesquisadora, facilita o acesso a informações e serviços de saúde, refletindo em maior cobertura vacinal.
A pesquisa reforça a necessidade de abordagens intersetoriais para ampliar a vacinação contra o HPV e reduzir desigualdades no estado. A vacina é a principal forma de prevenção contra o vírus, que pode causar diversos tipos de câncer.
