Oito cães utilizados em testes no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram resgatados na quarta-feira (1º). A ação foi conduzida pela ex-deputada federal Kátia Dias. O caso teve início em 2019 com denúncias sobre as condições de alojamento e bem-estar dos animais. Os cães foram transferidos para um espaço em Juiz de Fora, na Zona da Mata.
A mobilização para a retirada dos cachorros do local começou no ano passado, com a atuação direta da então parlamentar. De acordo com o jornal O Tempo, os cães, nomeados João Grilo, Chicó, Claudinho, Bochecha, Beto, Otto, Dobby e Jabuticaba, foram encaminhados para uma estrutura organizada por ativistas em parceria com a ONG Ajuda, onde receberão cuidados específicos para sua recuperação e socialização.
“Esse é um caso que vem desde 2019. Foi um processo construído ao longo de muitos anos, com denúncias e mobilização de protetores, que culminou em uma atuação institucional. A condição do abrigamento era inadequada: ambiente fechado, ausência de luz solar direta, pouca interação, além de outros relatos que motivaram a ação”, afirmou Kátia Dias em declaração sobre o processo de resgate.
A ex-deputada informou que visitou o local e buscou esclarecimentos com a universidade. Durante seu mandato, ela enviou um ofício à instituição para solicitar informações e sugerir a destinação dos animais. “A partir disso, foi iniciado um diálogo com a universidade para buscar uma solução que garantisse mais qualidade de vida para esses cães”, disse a ex-parlamentar sobre as negociações com a instituição de ensino.
Laudo apontou irregularidades
Denúncias sobre o caso foram encaminhadas à Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua) da UFMG. Conforme informações do jornal O Tempo, um laudo técnico produzido posteriormente reforçou a existência de irregularidades nas condições em que os cães eram mantidos. O Fórum Nacional de Proteção Animal também acompanhou o andamento do caso, que já havia sido objeto de reportagens anteriores sobre o tema.
“Temos um laudo médico-veterinário que constatou que os animais não estavam em um ambiente adequado e não possuíam qualidade de vida. Eles estavam em uma situação que feria os princípios do bem-estar”, destacou Kátia Dias, referindo-se ao documento que embasou a necessidade da transferência dos cães do laboratório da universidade para um novo local de acolhimento e tratamento.
O resgate foi realizado de forma legal, com a formalização da guarda dos animais. No novo abrigo em Juiz de Fora, organizado pela ativista em conjunto com o deputado Noraldino Júnior e uma ONG, os cães terão acesso a um ambiente com sol, convivência, alimentação adequada, higiene e acompanhamento veterinário especializado em comportamento animal, visando a reabilitação.
“O objetivo principal é garantir qualidade de vida e, futuramente, possibilitar adoções responsáveis”, explicou Kátia Dias sobre os próximos passos para os animais resgatados. O foco inicial é a recuperação física e emocional dos cães, que passaram anos em confinamento no laboratório. A adaptação será acompanhada por profissionais para garantir uma transição segura para os animais.
“Quando eles chegaram em Juiz de Fora e foram retirados das caixas de transporte, foi algo que me tocou muito. Os animais estão extremamente apáticos, demonstram uma tristeza no olhar. A sensação é de que eles não sabem o que é amor, nunca souberam o que é carinho. São muito arredios e medrosos”, contou a ativista sobre o comportamento dos cães.
“É um trabalho que exige tempo, mas o nosso objetivo agora é transformar a vida desses animais. Cada dia será importante nesse processo de recuperação, para que eles possam ter uma nova história”, completou Kátia Dias, reforçando o compromisso com a reabilitação completa dos oito cães que foram retirados do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG após as denúncias.
