“`
O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) realizou sua 2ª Reunião Plenária Ordinária nesta quinta-feira (16), em formato online, para debater estratégias de garantia da segurança alimentar e nutricional no Brasil. Participaram representantes da sociedade civil, governo federal, gestores estaduais, municipais e especialistas.
Planejamento para sistemas alimentares resilientes
Sofía Monsalve, Relatora Especial da ONU para o Direito Humano à Alimentação, alertou sobre os impactos da instabilidade geopolítica e climática na segurança alimentar. Ela defendeu análises de vulnerabilidade para orientar investimentos e reduzir dependência de insumos externos.
Segundo Monsalve, é essencial que os países fortaleçam sua capacidade de resposta a crises, com planejamento de médio e longo prazo. A cooperação internacional e a participação social foram destacadas como fundamentais para avançar nas soluções.
Transição agroalimentar e crise climática
Arilson Favareto, professor da USP, argumentou que a mudança nos sistemas agroalimentares é urgente para conter a crise climática. Ele citou a necessidade de reduzir o uso de fertilizantes na agropecuária convencional, que contribui para a acidificação dos oceanos.
Favareto mencionou avanços, como investimentos em energias renováveis e agroecologia, mas reforçou que a reconciliação entre produção e ecossistemas exige mudanças institucionais profundas.
Reforma agrária e consumo sustentável
Vânia Marques, da Contag, destacou a concentração de terras como obstáculo à segurança alimentar. Ela defendeu a reforma agrária e políticas públicas permanentes, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Marques também criticou o consumo excessivo de ultraprocessados e enfatizou a necessidade de diversificar a alimentação com produtos da agricultura familiar.
Desafios pós-Mapa da Fome
Valéria Burity, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, destacou a saída do Brasil do Mapa da Fome, mas apontou desafios como o alto custo de vida e o endividamento das famílias. Ela ressaltou a importância da mobilização social para garantir avanços contínuos.
De acordo com Burity, a disputa entre modelos de produção alimentar reflete conflitos globais e heranças históricas de desigualdade no Brasil.
“`
