O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em colaboração com a Polícia Militar, deflagrou a terceira fase da Operação Ícaro. A ação ocorreu nesta quarta-feira, 6 de maio, visando desmantelar a estrutura da facção Comando Vermelho na Zona da Mata.
As Promotorias de Combate ao Crime Organizado de Juiz de Fora e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) coordenaram a operação. O objetivo principal foi a asfixia financeira e a desarticulação de lideranças criminosas.
Foram cumpridos mais de 200 mandados judiciais em Juiz de Fora, Eugenópolis, Matias Barbosa e Rio de Janeiro. As ordens incluíram 60 mandados de prisão, 80 de busca e apreensão, e 66 de sequestro de veículos.
Além disso, foram bloqueados R$ 8,4 milhões em valores e bens. As ordens judiciais foram expedidas pelas quatro Varas Criminais de Juiz de Fora, conforme informações do MPMG.
Em entrevista coletiva, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Paulo de Tarso Morais Filho, comentaram a operação. Eles destacaram a importância da integração entre as instituições.
Mateus Simões afirmou: “A operação comprova, mais uma vez, que quando temos um esforço coordenado, temos resultados mais robustos. E quando falamos de crime organizado um resultado robusto faz toda a diferença, porque são organizações complexas, bem estruturadas, bem ramificadas e que dependem, exatamente por isso, de um trabalho integrado para que possamos ter a resposta que a sociedade precisa. Com isto estamos dando um recado claro para o crime organizado: que no estado de Minas Gerais não vão ter espaço, porque as instituições estão organizadas para impedir que eles entrem”.
Paulo de Tarso Morais Filho avaliou a operação como um sucesso, com resultados positivos. Ele declarou: “A operação de hoje é uma demonstração do que o Ministério Público tem que ter como missão institucional, combater o crime organizado em sua raiz, desarticulando a sua atuação, debelando as suas estruturas, de forma que haja um recuo por parte dessas organizações criminosas dentro do estado de Minas Gerais”.
Os promotores de Justiça Thiago Fernandes de Carvalho e Roberto Pinheiro Freire, do Gaeco, e Flávio Jordão Hamacher e Sérgio Soares Silveira, das Promotorias de Combate ao Crime Organizado de Juiz de Fora, também estiveram presentes.
Eles informaram que, até o momento, foram efetivadas 49 prisões. O número total de apreensões ainda está sendo contabilizado, mas inclui armas, munições, drogas, veículos e dinheiro em espécie.
A coletiva contou com a participação do comandante da Polícia Militar, coronel Lúcio, do delegado geral de Polícia Civil, Eurico da Cunha Neto, e do diretor-geral da Penitenciária José Edson Cavalieri, Thiago Costa. Todos enfatizaram a relevância da integração das forças de segurança.
A operação visa atacar desde as lideranças estaduais, concentradas em Juiz de Fora, até os núcleos de lavagem de dinheiro. Gerentes operacionais e “disciplinas” regionais, responsáveis por monitorar membros da facção e moradores, também são alvos.
Segundo o MPMG, esta fase representa a maior operação já realizada contra esta organização criminosa em Juiz de Fora. A investigação qualificada do Gaeco mapeou a hierarquia e o fluxo financeiro do grupo.
Com base nas provas coletadas, incluindo fases anteriores da operação, foram apresentadas nove denúncias. Estas denúncias são contra núcleos e células vinculadas ao Comando Vermelho que controlam, no mínimo, cinco bairros em Juiz de Fora.
Os bairros mencionados são Nova Era, Dom Bosco, Vila Montanhesa, Vista Alegre e Grama. A ação busca desarticular a atuação da facção nessas regiões, conforme detalhado pelo MPMG.
O cumprimento dos mandados mobilizou um aparato de elite das forças de segurança mineira. A Polícia Civil e a Polícia Penal ofereceram apoio à operação. A Polícia Militar de Minas Gerais empregou unidades de resposta especial e policiamento especializado.
O efetivo da capital incluiu o Comando de Missões Especiais (com Bope, Rotam e Choque), a Diretoria de Operações (com apoio do Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos) e o Comando de Policiamento Especializado (com Gepam e GTR).
Em Juiz de Fora, as ações foram coordenadas pelo 2º BPM, 27º BPM, 47º BPM e a 4ª Cia Ind PE. Essa mobilização demonstra a amplitude e a coordenação das forças de segurança envolvidas na operação.
A força-tarefa contou com cinco promotores de Justiça e 13 agentes do Gaeco de Juiz de Fora. Também participaram 40 agentes da Polícia Civil (Departamento de Operações Especiais e Delegacia Regional de Juiz de Fora).
Adicionalmente, 24 agentes da Polícia Penal (Comando de Operações Especiais e setor de Inteligência do Departamento Penitenciário de Minas Gerais – Depen) integraram a equipe. A colaboração entre as instituições foi um ponto central da operação.
O nome “Ícaro” simboliza a tentativa da facção de se estabelecer em Minas Gerais e sua subsequente queda. A integração entre a investigação do Ministério Público e a atuação das polícias reforça a mensagem de que não há espaço para facções externas no estado.
Para mais detalhes sobre a operação, acesse a notícia completa no portal do MPMG: 01/10/2025 – Operação Ícaro: MPMG e forças de segurança do Estado deflagaram operação contra expansão do Comando Vermelho para cidades da Zona da Mata mineira.
