Importância do rastreamento de ISTs durante a gestação

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O rastreamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) durante o pré-natal é um procedimento essencial para a saúde da mãe e do bebê, pois muitas dessas infecções não apresentam sintomas. O diagnóstico precoce permite o tratamento adequado e ajuda a prevenir complicações como parto prematuro, baixo peso ao nascer e a transmissão da doença para a criança, sendo um ponto de atenção nas políticas de saúde materno-infantil.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um milhão de ISTs curáveis são adquiridas diariamente no mundo, sendo a maioria assintomática. A entidade estimou que, em 2022, cerca de 1,1 milhão de gestantes tinham diagnóstico de sífilis. Quando não identificada e tratada durante o pré-natal, a infecção pode estar associada a complicações na gestação ou no parto, como prematuridade e baixo peso ao nascer.

No Brasil, a sífilis é uma das infecções mais acompanhadas durante o pré-natal. De acordo com informações de O Tempo, dados do Ministério da Saúde indicam 810.246 diagnósticos de sífilis em gestantes entre 2005 e junho de 2023. Apenas em 2023, a taxa foi de 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos, o que representou um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior.

“Infecções sexualmente transmissíveis muitas vezes não apresentam sintomas claros, o que pode fazer com que sejam descobertas tardiamente, inclusive durante a gestação. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico é uma forma de cuidar da saúde da mulher e reduzir riscos de transmissão para o bebê”, afirma a Dra. Márcia Felician, ginecologista obstetra e médica da equipe de Genitoscopia e Laser da Dasa.

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Outras infecções e seus riscos

Além da sífilis, a OMS alerta para outras infecções como HIV, hepatites B e C, herpes e HPV. Essas doenças podem impactar a saúde materna e neonatal, estando associadas a casos de natimorto, morte neonatal, sepse, conjuntivite neonatal, malformações congênitas e complicações no desenvolvimento do bebê nos primeiros meses de vida. O monitoramento durante a gestação é, portanto, essencial para a prevenção.

Um estudo brasileiro publicado em 2022 no International Journal of Gynecology & Obstetrics, realizado com 2.728 gestantes, revelou uma prevalência de 21% de ISTs. Entre as infecções detectadas estavam clamídia (9,9%), gonorreia, Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis. A pesquisa apontou que os índices foram ainda maiores na região Sudeste do país, onde a prevalência atingiu 23,3% das participantes.

Em relação ao HIV, dados recentes do Ministério da Saúde, citados por O Tempo, indicam uma queda de 7,9% nos casos em gestantes em 2023, com aproximadamente 7.500 registros no ano. Apesar da redução, o acompanhamento contínuo permanece como uma prioridade para evitar a transmissão vertical, que ocorre da mãe para o feto durante a gestação, parto ou amamentação.

“Quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, algumas infecções podem atravessar a gestação e afetar o bebê, levando a complicações como prematuridade, baixo peso ao nascer ou infecção neonatal. O diagnóstico precoce é um passo essencial para a proteção materno-infantil”, reforça a Dra. Márcia Felician.

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Prevenção e desafios no diagnóstico

Um dos principais desafios para o controle dessas infecções é o fato de muitas serem assintomáticas ou apresentarem sinais inespecíficos. Isso pode retardar o diagnóstico, que muitas vezes ocorre apenas durante o pré-natal ou após o parto. Por essa razão, organismos de saúde recomendam o rastreio de ISTs em gestantes como parte fundamental do cuidado pré-natal, especialmente em locais com alta incidência.

A prevenção envolve o uso correto e consistente de preservativos, uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de transmissão. Além disso, existem vacinas seguras para hepatite B e HPV, que representam avanços na proteção da saúde sexual e reprodutiva. Mesmo com essas medidas, a testagem regular continua sendo um pilar central, principalmente para mulheres grávidas ou que planejam engravidar.

Fatores como falta de tempo, dificuldade de deslocamento e o estigma associado às ISTs ainda afastam muitas pessoas da testagem. Em resposta, modelos de cuidado que oferecem exames em casa ganham espaço, proporcionando mais privacidade e praticidade. O check-up de ISTs foca em exames laboratoriais para a detecção precoce de infecções como HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C.

“Facilitar o acesso ao exame, inclusive com a possibilidade de realizá-lo em casa, pode ajudar a romper barreiras e ampliar o rastreio, algo fundamental para proteger a saúde da mãe e do bebê”, destaca a Dra. Márcia Felician.

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