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O Seminário Internacional Cultura Viva Comunitária: Uma Escola Latino-americana de Políticas Culturais ocorreu nesta quinta-feira (21) durante a programação da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). O evento reuniu especialistas, gestores e representantes de organizações culturais do Brasil, Argentina, Colômbia e Espanha.
De acordo com o Ministério da Cultura, o encontro destacou o papel do Brasil como referência em políticas públicas culturais na América Latina, especialmente no âmbito da Cultura Viva. O seminário foi dividido em dois painéis com 16 participantes, abordando gestão cultural crítica e cooperação internacional.
Entre os participantes estavam o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg, e a deputada Jandira Feghali, autora da Lei Cultura Viva (Lei nº 13.018/2014). O evento foi organizado em parceria entre a Fundação Casa de Rui Barbosa e a argentina Redes de Gestión Cultural.
Políticas culturais em debate
Márcio Tavares destacou a Política Nacional de Cultura Viva como referência internacional, citando a formação de 650 Agentes Cultura Viva e a rede de 42 pontões de cultura. “Passamos seis anos de costas para a potência da diversidade cultural brasileira. Esse reencontro aconteceu em 2023”, afirmou.
Márcia Rollemberg ressaltou a importância da união entre países latino-americanos. “Temos uma história comum, temos desafios comuns e quanto mais unidos estivermos, mais fortes seremos”, disse durante a abertura do evento.
Bruno Melo, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MinC, destacou o momento de tensões na conjuntura internacional e a importância da construção coletiva. “Temos aqui a grande alegria de reunir pessoas, organizações e representantes de governos com um objetivo comum”, observou.
Perspectivas internacionais
O espanhol Àngel Mestres, da organização Trànsit Projectes, criticou paradigmas culturais tradicionais e defendeu um modelo “amero-ibericano” de políticas culturais. “Cultura não é representação. É questionar nossas próprias condições de vida”, afirmou.
Susana Kaingang apresentou o Ponto de Cultura Kaingáng Jãre, primeiro ponto em terra indígena reconhecido pelo Ministério da Cultura. “Nós vamos até os nossos velhos para que eles contem a nossa história”, explicou.
Silvany Euclênio, do Pontão de Cultura Ancestralidade Africana no Brasil, falou sobre a atuação educativa dos povos tradicionais de matriz africana. “Quem cumpriu este papel neste país sempre fomos nós”, destacou.
Desafios e avanços
João Pontes, diretor da Política Nacional de Cultura Viva, citou conquistas recentes, como o cadastro de mais de 16 mil pontos de cultura, mas apontou limitações. “É preciso avançar e apostar em outros modelos além dos editais”, sugeriu.
Jandira Feghali abordou questões de soberania cultural, citando declarações do ex-presidente dos EUA Donald Trump sobre o Irã. “Este é o Brasil com sua potência, sua pluralidade, sua religiosidade e sua forma de convivência”, afirmou.
A primeira edição do seminário ocorreu em abril de 2025 na Cidade do México, com mais de 500 participantes presenciais e 2 mil virtuais. A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura segue até sábado (23) em Aracruz.
