agenciamg-259

AGU busca condenação de fabricantes de cigarro para cobrir gastos do SUS

Advertisement

“`

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou a condenação das maiores fabricantes de cigarros do Brasil e suas controladoras internacionais para ressarcir os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com tratamentos de doenças relacionadas ao tabaco. O pedido foi formalizado em alegações finais de uma ação civil pública movida em 2019 na Justiça Federal do Rio Grande do Sul.

De acordo com a AGU, as empresas, embora atuem legalmente, geram custos à sociedade brasileira ao sobrecarregar o SUS com doenças associadas ao tabagismo. O argumento é semelhante ao utilizado em casos de danos ambientais causados por atividades lícitas.

“Todo brasileiro, fumante ou não fumante, é vítima dos danos aqui tratados, visto que todo brasileiro é financiador e usuário do Sistema Único de Saúde”, afirma trecho das alegações. A ação busca compensação por danos morais e patrimoniais coletivos.

Advertisement

As rés incluem Souza Cruz LTDA, Philip Morris Brasil Indústria e Comércio Ltda e Philip Morris Brasil S.A., que dominam cerca de 90% do mercado nacional, além de suas matrizes British American Tobacco PLC e Philip Morris International.

Compromissos internacionais

O Brasil é signatário da Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco (CQCT), tratado que estabelece a responsabilização civil por danos do tabagismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como a principal causa de morte evitável no mundo.

A convenção, em vigor no país desde 2006, foi o primeiro tratado internacional de saúde pública a criar padrões globais para controle do tabaco. O documento afirma que a ciência comprova de forma inequívoca os riscos da fumaça do cigarro.

Impacto no SUS

A ação pede ressarcimento por gastos com tratamento de 26 doenças comprovadamente ligadas ao tabagismo. Estudos indicam que esses problemas custam dezenas de bilhões de reais anualmente ao SUS.

Advertisement

O valor exato da indenização será calculado posteriormente, caso a Justiça acolha o pedido. A comprovação do nexo causal usa dados epidemiológicos, como os do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que atribui 90% dos casos de câncer de pulmão ao tabagismo.

A ação não visa proibir a produção de cigarros nem afetar os produtores brasileiros de tabaco. O foco é exclusivamente no ressarcimento dos custos ao SUS.

Precedentes no exterior

Nos EUA, ações similares resultaram em acordos bilionários desde 1994. Somente entre 2019 e 2023, as empresas pagaram mais de US$ 44 bilhões em compensações. No Canadá, um acordo de CAD 32,5 bilhões foi firmado em 2025.

A AGU argumenta que a população brasileira merece reparação equivalente, especialmente considerando a dimensão do SUS. O sistema público de saúde no Brasil atende a toda a população, diferentemente dos modelos de outros países.

Advertisement

Dados sobre tabagismo

Segundo o Inca, o tabagismo está ligado a diversos tipos de câncer, além de enfisema pulmonar e doenças cardiovasculares. Cerca de 80% dos fumantes começam antes dos 18 anos, caracterizando o tabagismo como doença pediátrica.

A OMS estima que o hábito de fumar cause 12% das mortes de adultos no mundo. No século XX, cerca de 100 milhões de pessoas morreram por causas relacionadas ao tabaco. Atualmente, são aproximadamente 6 milhões de mortes anuais.

O processo tramita sob o número 5030568-38.2019.4.04.7100 na Justiça Federal.

“`

Advertisement

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *