O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um inquérito civil para investigar a conduta de policiais militares que entraram armados em uma escola municipal na Zona Oeste da capital. A ação ocorreu após a denúncia de um pai sobre um desenho da orixá Iansã, feito por sua filha de 4 anos, durante uma atividade pedagógica na EMEI Antônio Bento.
O inquérito civil tem como objetivo apurar a conduta dos policiais que atenderam ao chamado do pai da aluna. A investigação está reunindo depoimentos de testemunhas, documentos da escola e as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes durante a ocorrência. A promotoria busca esclarecer as circunstâncias da entrada dos policiais na unidade de ensino infantil e a necessidade da medida.
De acordo com informações do jornal O Tempo, a promotoria afirma que os elementos analisados até o momento não indicam a ocorrência de um crime que justificasse a ação policial na escola. O procedimento classifica a diligência como “injustificada” e apura uma possível violação ao direito à educação e à livre atividade pedagógica da instituição de ensino.
Em uma apuração preliminar, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) decidiu não abrir um inquérito policial militar nem uma sindicância contra os agentes envolvidos. O órgão entendeu que, com base nas informações iniciais, não havia indícios de transgressão disciplinar por parte dos policiais que participaram da ação na escola da capital paulista.
O episódio ocorreu em 11 de novembro de 2025. O pai da aluna de 4 anos, que posteriormente a Secretaria da Segurança Pública confirmou ser um soldado da PM da ativa, alegou que a filha era obrigada a participar de uma “aula de religião africana”. A denúncia foi motivada por um desenho da orixá Iansã feito pela criança.
No total, doze policiais entraram na escola, e um deles portava um fuzil. Imagens das câmeras corporais registraram uma discussão entre o tenente responsável pela ocorrência e a diretora da unidade. Enquanto o policial afirmava que a educadora tentava “ditar sua ideologia”, ela explicava que a atividade se baseava no livro infantil “Ciranda de Aruanda”.
A Polícia Civil indiciou o pai da aluna por intolerância religiosa em março deste ano. Três meses depois, em junho, uma apuração interna da Polícia Militar concluiu que os policiais seguiram o protocolo da corporação. Essa investigação foi encerrada antes da análise integral das imagens gravadas pelas câmeras corporais dos agentes envolvidos na diligência.
