Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da UFMG mapearam a distribuição territorial das cadeias produtivas estratégicas da política Nova Indústria Brasil (NIB). O estudo, feito em parceria com a Cepal e o governo federal, analisou regiões com potencial para ampliar participação no desenvolvimento industrial.
De acordo com a UFMG, a NIB, lançada em 2023, estabeleceu seis missões prioritárias: agroindústria sustentável, complexo da saúde, infraestrutura e mobilidade, transformação digital, bioeconomia e transição energética, além de tecnologias para soberania e defesa. O estudo foi o primeiro a identificar sistematicamente as atividades econômicas vinculadas a essas cadeias.
Segundo João Prates Romero, professor do Cedeplar e autor principal da pesquisa, o trabalho esclarece quais atividades integram cada cadeia produtiva da NIB. “O estudo ajuda a preencher essa lacuna e fornece base mais precisa para políticas públicas”, afirmou.
Metodologia e abrangência
Os pesquisadores relacionaram as cadeias da NIB à Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Foram analisados dados de emprego, comércio exterior, complexidade econômica e distribuição espacial em 510 regiões imediatas e 1.332 setores econômicos.
O estudo também identificou regiões com potencial para desenvolver novas cadeias produtivas priorizadas pela NIB. Para isso, foram utilizados indicadores de densidade de rede e complexidade econômica, que avaliam capacidades produtivas locais.
De acordo com a UFMG, o conceito de complexidade econômica mede o grau de sofisticação tecnológica e organizacional necessário para produzir bens ou serviços. Atividades mais complexas, como produção de semicondutores, têm maior capacidade de gerar inovação e investimentos.
Resultados e perspectivas
A pesquisa mostrou que a maioria das cadeias prioritárias da NIB possui alta complexidade econômica. Apenas duas delas apresentam complexidade média igual ou inferior à média da economia brasileira.
Os resultados indicam que as regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das atividades competitivas relacionadas às seis missões da NIB, com destaque para São Paulo. No entanto, a concentração foi menor do que o esperado pelos pesquisadores.
Para Romero, esse cenário sugere possibilidade de ampliar a presença das cadeias produtivas em outras regiões, desde que haja políticas específicas para descentralização de investimentos. A NIB tem horizonte de ação de dez anos.
