Tiago Torrent: “não se trata apenas de reunir grandes volumes de dados, mas de definir quais informações serão utilizadas, como serão organizadas e que relações elas representam”
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UFMG promove evento sobre dados e soberania digital no Café com IA

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O evento “Café com IA” discutirá nesta sexta-feira (28), às 16h, o papel da curadoria humana no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial. A palestra será ministrada pelo professor Tiago Timponi Torrent, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e terá transmissão on-line. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na plataforma Even3.

De acordo com Tiago Torrent, a seleção e organização dos dados usados no treinamento de sistemas de IA influenciam diretamente seu desempenho. Esse processo, chamado de curadoria de datasets, envolve a participação humana em diferentes etapas de desenvolvimento.

O professor destacou que, em aplicações de linguagem, a curadoria inclui a identificação de significados, relações entre conceitos e contextos de uso. “Os linguistas ajudam a incorporar informações que vão além das palavras”, explicou.

O evento é promovido pelo INCT Tildiar, rede sediada no Departamento de Ciência da Computação da UFMG. Mais informações sobre o instituto estão disponíveis no site oficial.

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Tiago Torrent apresentará um projeto desenvolvido no Laboratório FrameNet Brasil em parceria com a Vital Strategies Brasil. A equipe criou um sistema de IA para identificar subnotificação de violência contra mulheres e emitir alertas em prontuários eletrônicos.

Para desenvolver o sistema, os pesquisadores analisaram dados do e-SUS e do Sinan, sistemas do Ministério da Saúde. O e-SUS e o Sinan forneceram as informações utilizadas no treinamento do modelo.

Soberania digital e aplicações práticas

Segundo Tiago Torrent, a escolha dos dados também está relacionada à capacidade de um país desenvolver tecnologias próprias. “A dependência tecnológica pode limitar decisões sobre como sistemas de IA serão desenvolvidos”, afirmou.

O trabalho demonstrou que a intervenção humana melhora a capacidade dos sistemas de IA em identificar informações relevantes. “Não se trata apenas de reunir grandes volumes de dados, mas de definir como serão organizados”, explicou o professor.

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A discussão envolve áreas como saúde, educação e agricultura, onde a IA já é usada para analisar informações e apoiar decisões. “Definir quem produz os dados e como são organizados significa discutir a capacidade brasileira de decidir sobre o uso da inteligência artificial”, concluiu.

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