Oito obras do acervo do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) integram a exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, na Pinacoteca de São Paulo. Este conjunto destaca um núcleo da Coleção Murilo Mendes. A mostra estará em cartaz na Pina Luz entre 5 de setembro de 2026 e 31 de janeiro de 2027.
Sete trabalhos do artista homenageado, Ismael Nery, e um retrato dele feito por Alberto da Veiga Guignard, compõem o empréstimo do museu universitário juiz-forano à instituição paulista. A exposição reúne desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas.
As obras de Ismael Nery exploram a fronteira entre afeto e violência, desejo carnal e finitude. A curadoria de Yuri Quevedo apresenta um panorama da produção do artista, destacando suas contradições, densidade teórica e inovações na arte brasileira.
Murilo Mendes acompanhou a produção de Ismael Nery em um período de trocas artísticas, poéticas, filosóficas e religiosas. Após a morte de Nery, Murilo Mendes reuniu seus trabalhos, contribuindo para a preservação da memória e o reconhecimento da obra do artista.
De acordo com a UFJF, a diretora do Mamm, Renata Zago, afirmou que as obras de Nery preservadas pelo museu possuem uma dimensão histórica que transcende sua importância individual. Elas auxiliam na compreensão da formação da coleção de Murilo Mendes e das redes de sociabilidade.
A participação na exposição da Pinacoteca estabelece um diálogo entre literatura e artes visuais no modernismo brasileiro. As obras, ao integrar a mostra dedicada a Nery, são observadas em relação a outros conjuntos, documentos e interpretações, gerando novas leituras sobre o artista.
Circulação dos trabalhos
O empréstimo de obras de arte é uma prática museológica que segue a Lei do Estatuto dos Museus. Esta prática está associada ao princípio da difusão dos acervos, que reconhece a circulação dos bens culturais como forma de ampliar o acesso ao patrimônio.
De acordo com a UFJF, essa prática também revela a atuação do Mamm como museu universitário. O museu, vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora, é uma fonte para a produção de conhecimento e para a formação de estudantes, pesquisadores e visitantes.
Renata Zago considera que a participação na exposição da Pinacoteca estabelece uma interlocução entre instituições com trajetórias e públicos distintos. Isso insere o acervo em um projeto curatorial de visibilidade e reforça a relevância da coleção sob sua guarda.
Para o público, a exposição oferece a oportunidade de conhecer obras que pertencem ao patrimônio artístico da UFJF. Reunidas a trabalhos de outras procedências, essas obras contribuem para uma visão mais abrangente da produção de Ismael Nery.
Da reserva técnica à exposição
Antes de serem enviadas para São Paulo, as obras do Mamm passaram por um trabalho de bastidores. A equipe técnica do museu realizou a documentação museológica e os procedimentos relacionados ao seguro.
Os Laboratórios de Conservação de Pintura e Escultura e de Papel elaboraram os laudos técnicos. Estes documentos registram e avaliam o estado de conservação de cada obra. O processo contou com o acompanhamento do conservador-restaurador Aloysio Gerheim, da Fundação Museu Mariano Procópio, contratado pela Pinacoteca.
Para o envio, as obras são acondicionadas em embalagens museológicas que seguem padrões técnicos internacionais. O transporte é realizado por uma empresa especializada. De acordo com o conservador-restaurador Aloisio Castro, essas medidas garantem a preservação dos trabalhos.
Aloisio Castro afirmou que “são procedimentos técnicos, conhecimentos especializados e decisões cuidadosas, pautadas na Ciência do Patrimônio, que fazem parte da rotina dos museus e que, embora muitas vezes invisíveis, são fundamentais para que o patrimônio artístico possa ser compartilhado, pesquisado e apreciado por um público cada vez mais amplo”.
Antes do lançamento da mostra, Castro esteve em São Paulo para acompanhar a abertura das caixas e realizar um novo laudo técnico. Este procedimento padrão será repetido ao final da exposição.
