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Como identificar sinais de dificuldades na alfabetização infantil

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No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, dados sobre o desempenho de estudantes brasileiros indicam que, embora a meta nacional tenha sido superada, uma parcela significativa de crianças ainda não atingiu o nível de alfabetização esperado, demandando atenção ao processo de aprendizagem e à identificação de dificuldades.

De acordo com informações do jornal O Tempo, dados de 2023 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que 66% dos estudantes do 2º ano do ensino fundamental estavam alfabetizados, superando a meta de 64%. Com esse resultado, 34% dos alunos avaliados não alcançaram o padrão nacional de alfabetização para a etapa escolar.

Segundo Thaynara Souza, pedagoga e especialista em gestão, observar o desenvolvimento da criança ao longo do tempo é mais eficaz do que analisar uma dificuldade isolada. Erros e a necessidade de auxílio em certas atividades são considerados normais durante o processo de alfabetização, sendo a persistência de dificuldades o principal ponto de atenção para pais e educadores.

“Durante a alfabetização, é esperado que a criança cometa erros, faça trocas de letras e ainda precise de ajuda em algumas atividades. O que merece atenção é quando determinadas dificuldades permanecem por muito tempo, mesmo com os estímulos e intervenções realizados, ou quando começam a impedir que ela avance nas propostas de leitura e escrita”, explica a pedagoga.

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Sinais de atenção no processo de aprendizagem

No início da alfabetização, a construção da relação entre sons e letras faz com que erros sejam parte do aprendizado. A atenção deve se voltar à evolução da criança e à frequência das dificuldades. Sinais que podem ser observados incluem dificuldade persistente para reconhecer letras e sons, pouca evolução na leitura de palavras simples e resistência a atividades de leitura e escrita.

“Não existe um único sinal que permita dizer que uma criança está com um problema de aprendizagem. É preciso observar o conjunto e, principalmente, acompanhar se ela está avançando. A comparação com outras crianças da mesma idade também não é o melhor parâmetro, porque cada estudante tem seu próprio ritmo”, afirma a pedagoga do Colégio Sigma.

A participação dos responsáveis pode ocorrer por meio de atividades cotidianas. Ler uma história, pedir que a criança identifique uma palavra, escrever uma lista de compras ou permitir que ela escreva pequenos recados são algumas possibilidades. O objetivo é criar oportunidades de contato com a linguagem de forma natural, sem transformar o ambiente doméstico em uma sala de aula.

A importância da parceria entre família e escola

“É importante que a criança tenha contato com a leitura e a escrita de maneira natural. O adulto pode ler para ela, conversar sobre a história, perguntar o que entendeu e incentivar suas tentativas de escrita. Quando existe cobrança excessiva, a atividade pode deixar de ser prazerosa e passar a ser vista como uma obrigação”, orienta a especialista.

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A escola acompanha o estudante de forma contínua e observa como ele responde às propostas pedagógicas. Por isso, quando os responsáveis notam uma dificuldade persistente, a comunicação com professores e a coordenação escolar é fundamental para entender o que está acontecendo e alinhar estratégias de apoio para o aluno em questão.

“Família e escola precisam ter essa correlação, muitas vezes, uma dificuldade que parece grande em casa pode estar relacionada a uma habilidade específica que está sendo trabalhada na escola. Quando os adultos compartilham essas observações, fica mais fácil pensar em estratégias adequadas para aquela criança”, destaca Thaynara Souza.

O processo de alfabetização não se encerra com a decodificação de palavras. A leitura precisa evoluir para fluência e compreensão, enquanto a escrita se desenvolve até o estudante conseguir produzir textos com autonomia. O próprio Indicador Criança Alfabetizada considera habilidades como leitura de textos curtos, localização de informações e capacidade de inferência.

“Aprender a ler e escrever é um processo. Por isso, mais importante do que esperar que a criança simplesmente alcance determinado resultado, é acompanhar como ela está construindo essas habilidades e oferecer apoio sempre que necessário”, conclui Thaynara Souza.

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