A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) inaugura, nos dias 25 e 26 de setembro, duas novas exposições que abordam trajetórias da cultura e da história brasileira. O Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo) apresenta “Markito: Cintilações da Noite”, sobre o estilista mineiro. O Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) exibe “Mana Coelho: Fotopioneira”, dedicada à fotógrafa.
As exposições fazem parte da 20ª Primavera dos Museus, iniciativa nacional do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Todas as atividades são gratuitas e integram o projeto “Museus Centro – O Percurso da Memória de Belo Horizonte”. Este projeto é uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Viaduto das Artes.
A programação completa pode ser consultada no site do projeto e no Portal PBH. Segundo Bárbara Bof, presidenta da Fundação Municipal de Cultura (FMC), a Primavera dos Museus convida à reflexão sobre a pluralidade das histórias preservadas e compartilhadas pelos museus.
Bof afirma que as exposições demonstram como os acervos podem adquirir novos significados ao dialogar com o público. Isso ocorre tanto pela redescoberta de uma trajetória artística quanto pela possibilidade de revisitar a história da cidade através de imagens de quem a acompanhou de perto.
Isabela Guerra, diretora de museus da FMC, destaca que as exposições reforçam o papel dos museus como espaços de memória e reflexão. Ela ressalta que ao recuperar histórias como as de Markito e Mana Coelho, os museus reafirmam sua função de lugares vivos de memória e de reflexão sobre o presente.
Guerra complementa que são histórias distintas, construídas a partir da moda e da fotografia, que permitem compreender transformações culturais e sociais do país. Elas também possibilitam reconhecer sujeitos e olhares fundamentais para a construção dessa memória.
Markito: moda, liberdade e invenção
A exposição “Markito: Cintilações da Noite” no Mumo aborda o universo do estilista Markito. Suas criações, marcadas por paetês, franjas, bordados, fendas e tecidos fluidos, foram destaque nas décadas de 1970 e 1980. Ele levou esse estilo para as passarelas, vestindo artistas e integrando a moda com música, cinema, artes cênicas e vida noturna.
Markito, nascido Marcos Vinícius Resende Gonçalves em Uberaba, em 1952, iniciou sua carreira produzindo camisetas artesanais. Ele trabalhou como freelancer e figurinista, e após uma temporada em Nova York, abriu seu próprio ateliê. Dedicou-se ao prêt-à-porter feminino e à moda festa, ganhando projeção nacional e internacional entre os anos 1970 e 1980, associando-se aos universos disco e glamour.
Carolina Ladeira, curadora da mostra e coordenadora do Mumo, afirma que a exposição é um convite para redescobrir o legado do estilista. Ela destaca a relevância de Markito para a moda brasileira e a importância de preservar a memória da moda como parte da história cultural do país.
Ladeira expressa o desejo de que o reencontro com a obra de Markito desperte um olhar contemporâneo sobre suas criações. Ela espera que sua obra continue a inspirar as novas gerações. O acervo inclui roupas, fotografias, documentos, objetos e registros da imprensa.
Entre os itens em destaque estão fotografias de Antônio Guerreiro com personalidades como Betty Faria, Christiane Torloni e Gal Costa. Há também o vestido de franjas inspirado em “O Grande Gatsby”, peças da coleção “The Party Must Go On” (1980), e dois figurinos criados para Ney Matogrosso em 1982.
A mostra também revela aspectos menos conhecidos da trajetória de Markito. Ele valorizava o trabalho das bordadeiras de Uberaba e chegou a manter um ateliê com cerca de 150 funcionários. Este ateliê produzia aproximadamente 300 vestidos por mês e exportava criações para os Estados Unidos.
Outro núcleo da exposição apresenta a Markito Lipstick, marca criada em 1975. Esta marca se aproximava da moda jovem e propunha formas de vestir menos delimitadas pelas distinções tradicionais de gênero, refletindo uma visão mais inclusiva e moderna.
Abertura reúne oficinas, visitas e seminário
A abertura de “Markito: Cintilações da Noite”, em 25 de setembro, incluirá diversas atividades da 20ª Primavera dos Museus. A exposição estará aberta para visitação a partir das 10h. Às 14h, a oficina “Do Vestido à Coleção” explorará elementos como silhueta, proporção, contraste, volume e detalhes, a partir de uma criação em preto e branco do estilista.
Às 15h, uma visita mediada apresentará a trajetória de Markito e as relações entre sua produção, seu tempo e diferentes formas de expressão. Às 19h, o seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória” aprofundará as discussões propostas pela exposição.
Os debates do seminário serão organizados em torno de questões relacionadas à memória e aos apagamentos, aos ofícios, práticas e saberes, e aos corpos, acessibilidade e inclusão. A programação continuará no dia 26 de setembro.
Às 10h, a oficina “Desatando a Gravata” convidará os participantes a transformar gravatas em golas, colares, faixas, cintos e outros objetos vestíveis. Às 14h, os designers de moda e bordadores Ana Andrade e Guilherme Avelino conduzirão a “Oficina de Bordado em Meia-Calça”, focada na aplicação de bordados em pedraria sobre tecidos elásticos.
Às 16h, uma nova visita mediada à exposição encerrará a programação do dia. Para fechar as atividades do Mumo em setembro, no dia 29, às 18h, será realizada a oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”.
A atividade convida os participantes a criar um álbum físico a partir de fotografias, textos e colagens. Para participar, é necessário realizar inscrição previamente por meio de formulário. A atividade é indicada para maiores de 18 anos e as vagas são limitadas.
A trajetória da fotojornalista Mana Coelho
No dia 26 de setembro, às 14h30, o MHAB abrirá a exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”. Com curadoria de Álvaro Sales, Ana Paula Portugal e da própria fotógrafa, a mostra recupera a trajetória da profissional entre as décadas de 1970 e 1980. Nesse período, Mana Coelho atuou em um mercado predominantemente masculino.
Suas lentes registraram importantes acontecimentos da vida política, social e cultural de Belo Horizonte e de Minas Gerais. O evento de abertura contará com uma roda de conversa aberta ao público, das 14h30 às 16h30, com os curadores da mostra.
Nascida em Recife, em 1957, Mana Coelho mudou-se para Belo Horizonte ainda criança e começou a se interessar por fotografia na adolescência. Aos 19 anos, enquanto ingressava no curso de Ciências Sociais da UFMG, passou a integrar o Jornal dos Bairros, um periódico voltado para as classes trabalhadoras de Belo Horizonte e Contagem.
Posteriormente, atuou como fotógrafa independente para veículos como a revista IstoÉ e o Jornal do Brasil, sendo contratada pelo jornal O Globo. A exposição destaca não apenas o que suas imagens registraram, mas também a mulher por trás da câmera.
Mana Coelho participou da construção das imagens pelas quais aquele período seria lembrado. A mostra permite, ainda, conhecer o cotidiano do fotojornalismo analógico, desde a preparação dos equipamentos até a revelação dos negativos, produção das provas de contato, seleção e identificação das imagens e sua transmissão para as redações.
Adquirida pelo MHAB em 2005, a Coleção Mana Coelho reúne 18.690 itens, incluindo negativos, fotografias e provas de contato produzidos entre 1976 e 1986. Organizado em temas como política, manifestações, trabalhadores, condições urbanas, arte e cotidiano, o conjunto é uma fonte importante para compreender Belo Horizonte e as transformações da sociedade brasileira no período.
Serviço
Exposição “Markito: Cintilações da Noite”
Local: Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO) – Rua da Bahia, 1.149
Visitação: Quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada: gratuita
25 de setembro
10h – Abertura para visitação
14h – Oficina “Do Vestido à Coleção”
Inscrições: formulário
Classificação: livre
15h – Visita mediada
Classificação: livre
Sem inscrição prévia
19h – Seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória”
Entrada: livre e gratuita, sujeito à lotação do auditório
26 de setembro
10h – Oficina “Desatando a Gravata”
Maiores de 18 anos / Inscrições por formulário
14h – Oficina de Bordado em Meia-Calça, com Ana Andrade e Guilherme Avelino
Maiores de 16 anos/ Vagas limitadas/ Inscrição prévia por formulário
16h – Visita mediada
Classificação: livre
Sem inscrição prévia
29 de setembro (terça-feira), 18h
18h – Oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”
Vagas limitadas/ Inscrições por formulário
Classificação: a partir de 18 anos
Exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”
Local: Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) – Avenida Prudente de Morais, 202 – Cidade Jardim
Visitação: Quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada: gratuita
Classificação: livre
26 de setembro
14h30 – Abertura da exposição
14h30 às 16h30 – Roda de conversa com os curadores: Mana Coelho, Álvaro Sales e Ana Paula Portugal
