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Pesquisa da Unifal-MG aponta que 43,9% das crianças em vulnerabilidade social no Sul de Minas têm sintomas de ansiedade

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Uma pesquisa desenvolvida no curso de Enfermagem da UNIFAL-MG indicou que 43,9% das crianças avaliadas apresentaram sintomas elevados de ansiedade. O estudo envolveu 41 crianças de 7 a 9 anos, atendidas por uma instituição filantrópica no Sul de Minas Gerais que acolhe famílias em situação de vulnerabilidade social.

Este resultado corresponde a aproximadamente quatro em cada dez participantes. A pesquisa destaca a importância do cuidado com a saúde mental na infância, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.

Autoras do estudo: Carolyne Sena Oliveira, Sueli de Carvalho Vilela (orientadora) e Jéssica Helen Soares. (Foto: Arquivo Pessoal)

A pesquisa é parte do trabalho de conclusão de curso de Carolyne Sena Oliveira e Jéssica Helen Soares. A orientação foi da professora Sueli de Carvalho Vilela, da Escola de Enfermagem da UNIFAL-MG.

As acadêmicas coletaram informações sobre os sintomas relatados pelas crianças. A consistência das respostas foi verificada com a versão brasileira da Escala de Ansiedade Infantil de Spence, conhecida como SCAS-Brasil.

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Das 91 crianças matriculadas na instituição, foram selecionadas aquelas com idades entre 7 e 9 anos. Esta faixa etária é contemplada pelas tabelas de referência da escala utilizada na pesquisa.

Inicialmente, 45 crianças atenderam aos critérios de participação e tiveram autorização dos responsáveis. Após quatro perdas, o estudo foi concluído com 41 participantes.

De acordo com as autoras, 18 participantes do grupo apresentaram pontuações classificadas como elevadas. Este resultado, no entanto, não confirma a presença de um transtorno de ansiedade.

Carolyne Oliveira explicou que “Ficar acima do ponto de corte não significa que a criança tenha um transtorno de ansiedade ou que recebeu um diagnóstico. Significa que seu resultado ficou em uma faixa elevada de sintomas segundo os parâmetros normativos do instrumento e que esse resultado pode indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada”.

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Jéssica Soares acrescentou que a análise indicou uma pontuação média maior entre as meninas. “As meninas apresentaram média de sintomas ansiosos significativamente maior que a dos meninos, embora não tenha sido encontrada associação estatisticamente significativa entre sexo e a prevalência de ansiedade elevada”, relatou.

Ela também mencionou que “A escala apresentou boa consistência interna no escore total, reforçando sua utilidade como instrumento de rastreamento nessa população”. As autoras afirmaram que, apesar das pontuações médias maiores, a proporção de crianças com sintomas elevados foi similar entre os gêneros.

A coleta de dados ocorreu em dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. Houve autorização dos responsáveis e concordância das próprias crianças em participar do estudo.

A escala foi aplicada individualmente em um ambiente reservado. Cada aplicação teve duração aproximada de 20 a 30 minutos por participante.

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Contexto social e contribuições dos resultados

As crianças indicaram a frequência com que vivenciavam situações descritas no questionário. As opções de resposta eram “nunca”, “às vezes”, “muitas vezes” e “sempre”.

Entre as afirmações apresentadas estavam “Eu fico com medo quando tenho que fazer uma prova”, “Eu me preocupo em estar longe dos meus pais” e “Quando eu tenho um problema, meu coração bate muito rápido”.

Para as pesquisadoras, os achados podem apoiar uma escuta mais atenta por parte das famílias. Também podem orientar práticas de acolhimento em instituições e auxiliar profissionais de saúde na identificação de necessidades de avaliação e acompanhamento.

Jéssica Soares destacou que “Essas contribuições devem considerar as condições de vida das crianças e os recursos de proteção disponíveis, favorecendo um cuidado compartilhado entre família, instituições e serviços de saúde, sem reduzir a criança ao resultado obtido no instrumento”.

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Os resultados se restringem ao grupo estudado e não permitem avaliar a evolução dos sintomas, pois não houve acompanhamento ao longo do tempo. A vulnerabilidade social foi considerada com base no perfil do público atendido pela entidade, sem avaliação socioeconômica individual.

Este fato impede o estabelecimento de uma relação de causa entre as condições sociais e os sintomas de ansiedade. Ao final da pesquisa, um relatório foi elaborado para a instituição.

O relatório continha a pontuação total de cada criança e os principais resultados nas dimensões avaliadas pela escala. Este documento reúne informações que podem subsidiar o reconhecimento das necessidades de cuidado dos participantes.

O estudo está disponível para consulta na íntegra no Repositório Institucional da UNIFAL-MG.

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