O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) anunciou que vai recorrer da absolvição de uma mulher acusada de matar e mutilar um homem em Belo Horizonte. A decisão de recorrer, informada na última sexta-feira (26), ocorre após um júri popular acatar a tese da defesa de que ela agiu sob violenta emoção. O MPMG argumenta que o veredito contraria as provas apresentadas no processo.
Na avaliação do MPMG, “a absolvição da ré é incompatível com as provas constantes nos autos”. O julgamento ocorreu na terça-feira (24), com um conselho de sentença formado por quatro homens e três mulheres. A defesa sustentou que a mulher agiu após flagrar o companheiro abusando de sua filha, que na época tinha 11 anos, versão apresentada pela própria ré durante seu depoimento.
Conforme o processo, a mulher relatou que mantinha um relacionamento esporádico com a vítima, que frequentava sua casa. Ela afirmou ter descoberto, duas semanas antes do crime, que o homem enviava mensagens de conteúdo sexual para sua filha. No dia do ocorrido, segundo seu depoimento, ela acordou com os gritos da menina e encontrou o homem sobre a criança, atacando-o em seguida com uma faca.
A investigação, no entanto, aponta uma versão diferente dos fatos. De acordo com a denúncia, a mulher teria dopado a vítima com clonazepam misturado a bebida alcoólica. Após o homem adormecer, ela teria desferido golpes de faca e pauladas na cabeça. Em seguida, com o auxílio de um adolescente, o corpo do homem foi levado para uma área de mata próxima.
O Ministério Público sustenta que a vítima ainda apresentava sinais vitais quando teve o órgão genital mutilado e que, posteriormente, o corpo foi incendiado. A mulher foi acusada de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. As acusações também incluem destruição de cadáver e corrupção de menores, devido à participação do adolescente no crime.
Após a leitura da sentença de absolvição, a mulher se emocionou e precisou ser amparada por suas advogadas. De acordo com informações do jornal O Tempo, a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti expediu o alvará de soltura imediatamente após o término da sessão. O Tribunal do Júri é responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, com decisões tomadas por sete jurados da sociedade.
