MPMG lança projeto Alerta Lilás para integrar saúde e justiça na prevenção do feminicídio

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou o projeto “Alerta Lilás: saúde da mulher como prevenção ao feminicídio” no Fórum Nacional de Mulheres na Saúde. O evento ocorreu em Brasília, nesta quinta-feira, 27 de março. A iniciativa busca integrar saúde e justiça para fortalecer a proteção de mulheres em situação de violência.

A apresentação foi conduzida pelas promotoras de Justiça Denise Guerzoni e Giovanna Carone. Denise Guerzoni é coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD).

Giovanna Carone coordena o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (CAO-Saúde). Ambas destacaram o papel do Ministério Público mineiro na indução de políticas públicas.

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As promotoras ressaltaram que “A participação do MPMG neste importante evento nacional reforça seu protagonismo na construção de soluções interinstitucionais voltadas à prevenção da violência contra a mulher, com potencial de replicação em todo o país”.

De acordo com as promotoras, o projeto parte do princípio de que o sistema de saúde é frequentemente o primeiro, e por vezes o único, local procurado por mulheres em situação de violência.

A violência doméstica e familiar é um problema de saúde pública, com impactos físicos e psicológicos. A Organização Mundial da Saúde reconhece esses impactos. O Alerta Lilás visa transformar o atendimento em saúde em um espaço de escuta e identificação precoce de sinais de violência, fortalecendo a rede de proteção.

Mudança de Paradigma

Segundo as promotoras, o Alerta Lilás é uma estratégia institucional para integrar os sistemas de saúde e justiça, com foco na prevenção. A iniciativa prevê a qualificação de profissionais e o fortalecimento da atuação em rede.

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O projeto adota práticas baseadas em evidências, reconhecendo que cada atendimento em saúde pode ser uma oportunidade de intervenção. O objetivo é interromper ciclos de violência e preservar vidas.

O projeto está estruturado em dois eixos. O primeiro é a informação protetiva, com a divulgação de conteúdos educativos. Isso inclui vídeos, cartilhas e materiais digitais para mulheres em unidades de saúde, públicas ou privadas.

O segundo eixo é a qualificação de profissionais de saúde. A capacitação visa identificar sinais de violência, acolher as vítimas e realizar encaminhamentos adequados. Os temas abordados incluem perspectiva de gênero, Lei Maria da Penha e legislação correlata, análise de risco, plano de segurança e fluxos da rede de proteção.

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Alcance Nacional

O projeto, criado em Minas Gerais, já conta com a adesão de hospitais públicos e privados, laboratórios, drogarias e secretarias municipais de saúde. Redes assistenciais, instituições acadêmicas e universidades públicas e privadas também aderiram.

A iniciativa está sendo adotada por Ministérios Públicos de outros estados, como Amazonas, Pernambuco, São Paulo, Rondônia, Piauí, Rio de Janeiro, Acre, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Há previsão de formalização de acordo de cooperação técnica com o Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde e Conselho Nacional do Ministério Público. O objetivo é nacionalizar o Alerta Lilás.

Conforme Denise Guerzoni e Giovanna Carone, “ao apresentar o projeto em um fórum nacional promovido pelo Ministério da Saúde, a convite do gabinete do ministro de Estado da Saúde, o MPMG reafirma seu compromisso com uma atuação resolutiva, intersetorial e orientada à prevenção, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas de saúde e de proteção às mulheres”.

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Ainda de acordo com as promotoras, a experiência do MPMG, idealizada pelo CAO-VD e pelo CAO-Saúde, destaca a importância de uma atuação coordenada e baseada em evidências. Cuidar da saúde da mulher é uma forma de salvar vidas.

Durante o evento, o MPMG recebeu uma bandeira do SUS.

Fotos: Zeca Miranda/ MS

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