Homem vira réu após simular acidente para ocultar feminicídio em MG

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A Justiça de Minas Gerais determinou que o empresário Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, será submetido a Júri Popular. Ele é acusado de matar a namorada, Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 41 anos, e simular um acidente de trânsito para ocultar o crime, ocorrido em dezembro de 2025 em Belo Horizonte. A data do julgamento ainda não foi definida.

De acordo com informações do jornal O Tempo, a decisão foi proferida na quinta-feira (26) pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza. Ela acatou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e manteve a prisão preventiva do acusado, negando um pedido da defesa para que ele fosse solto enquanto aguarda o julgamento em data a ser marcada.

Na denúncia, a promotora de Justiça Ana Gabriela Brito Melo Rocha destacou a frieza do réu. “A prática de feminicídio aliada à tentativa de instrumentalização do corpo da vítima para simular acidente, revela não apenas extrema frieza, mas também a extrema objetificação da mulher como meio de autopreservação do denunciado, sendo circunstâncias que denotam acentuado grau de misoginia e reforçam a gravidade concreta da conduta”, escreveu.

Mesquita foi preso durante o velório de Henay e indiciado pela Polícia Civil em janeiro deste ano. As acusações são de feminicídio qualificado por asfixia, que impossibilitou a defesa da vítima, e por fraude processual, devido à tentativa de alterar a cena do crime com a simulação do acidente de carro que se seguiu ao assassinato.

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Relembre o crime

O crime ocorreu em 14 de dezembro de 2025. O carro do casal foi registrado em uma praça de pedágio na MG-050, em Itaúna, às 5h56. Henay estava no banco do motorista e Alison no do passageiro. Minutos depois, a morte dela foi registrada pelas autoridades como consequência de um acidente de trânsito na região.

Investigações da Polícia Civil, no entanto, apontaram que a vítima já estava morta há pelo menos uma hora no momento da batida. Segundo a apuração, Henay foi assassinada por asfixia no apartamento do casal, no bairro Nova Suíça, e seu corpo foi transportado por mais de 60 quilômetros até o local da colisão simulada.

A reviravolta no caso, inicialmente tratado como acidente, ocorreu após informações de familiares e, principalmente, do relato de uma funcionária do pedágio. A testemunha afirmou ter visto a mulher desacordada no volante, enquanto o companheiro conduzia o veículo a partir do banco do passageiro, aparentando nervosismo e recusando ajuda oferecida no local.

A Polícia Civil reuniu imagens de câmeras de segurança que mostram o investigado, às 4h49, carregando o corpo da mulher até a garagem. Ele a posiciona no banco do motorista, sendo possível observar nas gravações que as mãos de Henay estavam inertes. O suspeito era síndico e conhecia os pontos cegos das câmeras do condomínio.

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A perícia encontrou vestígios de sangue da vítima no sofá, chão e maçaneta do apartamento. Além disso, um exame de comparação genética identificou o DNA do suspeito sob as unhas de Henay, o que, para os investigadores, indica que ela tentou se defender durante o ataque e explica as lesões encontradas nos braços do acusado.

Após o acidente simulado, o investigado retornou ao apartamento, onde teria limpado vestígios do crime e desconectado uma câmera interna. A investigação também descobriu que ele realizou pesquisas na internet sobre acidentes automobilísticos com vítimas fatais e sobre fenômenos da morte relacionados à asfixia, segundo a polícia.

A investigação também revelou um histórico de violência doméstica. Imagens de agosto do ano anterior mostram o suspeito agredindo Henay com socos na cabeça e aplicando um golpe conhecido como “mata-leão”. Na época, a vítima foi atendida em uma unidade de saúde com traumatismo cranioencefálico leve e hematomas, conforme prontuários recuperados pela polícia.

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