O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Militar (PM) desarticularam uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas em Conceição do Rio Verde, no Sul de Minas Gerais. A ação resultou na localização de um laboratório clandestino de drogas, com estrutura para refino e processamento de cocaína, incluindo maquinário industrial, utensílios e insumos químicos para adulteração da substância.
Durante a operação, foram apreendidos 22 papelotes de cocaína, 34 pedras de crack, um papelote e uma bucha de maconha, além de substância análoga à cocaína. Também foram encontrados uma balança de precisão, invólucros para entorpecentes, cinco aparelhos celulares e R$ 290,00 em espécie. Três adultos foram presos em flagrante e um adolescente foi apreendido.
O material apreendido foi lacrado e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Conceição do Rio Verde para perícia técnica. A operação foi deflagrada após um requerimento de busca e apreensão apresentado pelo promotor de Justiça Gabriel Galindo ao Juízo das Garantias de Conceição do Rio Verde.
O requerimento foi instruído com um relatório de inteligência do 6º Pelotão da Polícia Militar de Conceição do Rio Verde e Registros de Eventos de Defesa Social (REDS). Esses documentos detalhavam a atuação da organização criminosa em diversos bairros do município, fornecendo base para a ação policial e judicial.
A apuração indicou a existência de uma associação criminosa dedicada ao tráfico de drogas, utilizando múltiplos imóveis e com divisão de tarefas. Foi constatado o aliciamento de menores, a introdução de entorpecentes nas proximidades de ambientes escolares e a circulação de armas de fogo.
Com base nessas informações, a Justiça expediu cinco mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços vinculados aos investigados. Além disso, foi autorizado o afastamento do sigilo dos dados armazenados nos dispositivos eletrônicos apreendidos, visando aprofundar as investigações sobre a rede criminosa.
As investigações permitiram identificar a hierarquia e o líder do grupo criminoso. Mesmo com tornozeleira eletrônica, ele era responsável pelo financiamento, coordenação logística e gestão do fluxo financeiro. O comando era exercido de forma remota, com contato frequente com os demais membros para distribuição de ordens.
A investigação também identificou os encarregados pela segurança do laboratório, pela escolta do entorpecente e pela distribuição da droga. O adolescente apreendido realizava a manipulação química e a purificação do produto, indicando um nível de especialização dentro da organização criminosa.
O promotor de Justiça Gabriel Galindo afirmou que “a existência de um laboratório de processamento de cocaína, com estrutura industrial e participação de adolescentes, revela o nível de sofisticação e o grau de enraizamento do tráfico de drogas no município”. Ele destacou a atuação articulada entre as Forças de Segurança e o MPMG.
Segundo o promotor, essa atuação busca desestruturar o tráfico e garantir a segurança da população do município, diante da escalada de crimes violentos nos últimos meses. A colaboração entre as instituições é fundamental para combater organizações criminosas e proteger a comunidade local.
De acordo com o representante do MPMG, a investigação prosseguirá com a análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos e com novas diligências. O objetivo é identificar outros integrantes da rede criminosa e mapear os fluxos financeiros da organização, buscando confiscar valores e desestruturar a facção.
