Jussiara e seus orientadores em trabalho de campo junto à comunidade local
A pesquisadora Jussiara Dias dos Santos, da UFVJM, dedicou-se a quantificar o valor dos recursos naturais. Ela utilizou mapas, dados geoespaciais e a escuta de comunidades que residem em áreas com mata ciliar, rios e paisagens serranas. O trabalho buscou entender o valor dos benefícios oferecidos pela natureza.
Jussiara, discente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal (PPGCF) da UFVJM, desenvolveu sua dissertação de mestrado. O foco foi nas sub-bacias hidrográficas do Rio Preto e do Ribeirão Santana, localizadas nos municípios de São Gonçalo do Rio Preto, Felício dos Santos e Senador Modestino Gonçalves, no Alto Jequitinhonha mineiro.
O trabalho foi orientado pelos professores Danielle Piuzana Mucida, Luciano Cavalcante de Jesus França e Eric Bastos Gorgens. A pesquisa integrou um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) – APQ 00185-22. Este projeto visa incorporar o mapeamento e a quantificação de serviços ecossistêmicos ao Zoneamento Ambiental e Produtivo (ZAP).
De acordo com Jussiara, “A ideia central foi avançar no entendimento de como a natureza nos beneficia diretamente em escala local”. Ela acrescenta que “O objetivo não foi apenas criar mapas e relatórios, mas oferecer uma ferramenta real para a gestão ambiental.”
Unindo ciência e comunidade
A metodologia da pesquisa incluiu o mapeamento participativo. Esta abordagem combinou o conhecimento técnico de especialistas com o saber prático das comunidades locais. A pesquisadora utilizou as Unidades de Relevo como base territorial para analisar o território.
Foram utilizados dados geoespaciais disponíveis nas plataformas do IDE-Sisema (Infraestrutura de Dados Espaciais do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Minas Gerais), Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Esses dados foram levantados pelo grupo de pesquisadores do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Zoneamento Ambiental Produtivo (Nepzap) da UFVJM.
Jussiara afirma: “Trabalhamos com um desafio de integração”. Ela complementa: “Unimos o conhecimento técnico de especialistas ao saber prático das comunidades locais, o que enriqueceu muito o diagnóstico.”
As áreas estudadas apresentaram alta capacidade de prestar serviços ecossistêmicos. Os serviços culturais, relacionados ao lazer, estética e sentimento de pertencimento, foram destacados. Os serviços de provisão hídrica também se mostraram essenciais. Segundo a pesquisadora, “Esses serviços culturais apareceram com muita força na visão dos moradores.”
A metodologia da pesquisa resultou na publicação do artigo científico “Participatory Mapping at a Small Scale: Integrating Expert and Local Knowledge for Ecosystem Services Assessment in Brazilian Watersheds”. A publicação ocorreu em dezembro de 2025. Segundo Jussiara, sua pesquisa confirmou que “os ecossistemas bem conservados dessas sub-bacias são fundamentais para o bem-estar humano e para o sucesso de políticas públicas, como o pagamento por serviços ambientais”.
Do mestrado ao doutorado: o território sob nova lente
A pesquisa de doutorado de Jussiara, também no PPGCF, é uma continuação de seu trabalho de mestrado. Enquanto o mestrado focou no mapeamento do que a natureza oferece, o doutorado busca entender como o planejamento territorial e as políticas de gestão consideram esses benefícios nas decisões diárias.
Para isso, a pesquisadora está incorporando a Análise Multicritério pelo método AHP (Analytic Hierarchy Process) e ferramentas de geoprocessamento. Essas ferramentas permitem considerar a oferta e a demanda social por serviços ecossistêmicos. A pesquisa também incluirá as mudanças climáticas, com a construção de cenários futuros.
A pesquisadora declara: “Pretendo consolidar uma abordagem integrada entre ciência, planejamento territorial e políticas públicas”. Ela espera que isso tenha “potencial de impacto na gestão sustentável de bacias hidrográficas e na valorização dos serviços ecossistêmicos”.
A professora Danielle Piuzana Mucida, orientadora da pesquisa, ressalta a importância da escala de trabalho. “Atuar em sub-bacias hidrográficas, com dados geoespaciais de maior riqueza e resolução local, permitiu ao grupo gerar subsídios concretos para a tomada de decisão, o que em análises em escalas maiores raramente é possível oferecer o mesmo nível de detalhe.”
As pesquisadoras concluem que “O trabalho representa um passo importante na construção de ferramentas que ajudem gestores públicos, agricultores e comunidades a enxergar o valor invisível da natureza e a agir antes que ele desapareça”.
Por Diretoria de Comunicação Social
