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O Governo do Brasil e os Estados Unidos formalizaram nesta sexta-feira (10 de abril) um acordo de cooperação para combater o tráfico internacional de armas e drogas. A iniciativa, chamada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), integra esforços de inteligência e operações conjuntas entre a Receita Federal do Brasil (RFB) e o U.S. Customs and Border Protection (CBP).
De acordo com o Ministério da Fazenda, o projeto visa interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes, fortalecendo a segurança de ambos os países. A ação surge após diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, inserindo-se em uma agenda mais ampla de cooperação bilateral.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o acordo permite o compartilhamento inédito de informações em tempo real. “Hoje marca o primeiro passo relevante no combate ao crime organizado entre os nossos dois países”, afirmou.
ANÁLISE REMOTA E COMPARTILHAMENTO DE DADOS
O mecanismo “Remote Targeting” permitirá a análise remota de cargas e o envio contínuo de relatórios de inteligência dos EUA ao Brasil. Segundo Durigan, essas informações serão repassadas diretamente à Polícia Federal, facilitando a identificação antecipada de remessas ilícitas.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ressaltou que os dados ajudarão os órgãos a cumprirem suas funções com maior eficiência. “São informações de grande relevância que permitirão às agências atuarem de forma integrada”, disse.
PROGRAMA DESARMA
O acordo inclui o lançamento do Programa DESARMA, sistema informatizado que amplia o rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis. A ferramenta permite o compartilhamento em tempo real de dados sobre apreensões, incluindo tipo de material, origem e informações logísticas.
O sistema também envia alertas às autoridades aduaneiras dos países de origem das mercadorias apreendidas. As informações compartilhadas podem incluir dados sobre exportadores e remetentes, dentro dos limites dos acordos internacionais.
RESULTADOS PRÁTICOS
O compartilhamento de dados já permitiu identificar métodos sofisticados de ocultação de armas e drogas. Nos últimos 12 meses, foram apreendidas 1.168 partes e peças de armamentos (cerca de 550 kg), enviadas principalmente da Flórida com declarações fraudulentas.
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que o Brasil passará a receber dados estratégicos para aprimorar a gestão de risco. Em contrapartida, o país enviará informações sistemáticas às autoridades dos EUA sobre apreensões.
APREENSÕES E NOVOS DESAFIOS
Dados do Aeroporto de Guarulhos mostram aumento expressivo nas apreensões de drogas, de 89 kg em 2024 para 1.562 kg nos primeiros três meses de 2026. O perfil do tráfico também mudou, com maior uso de cargas e menor sofisticação na ocultação.
Esse cenário reforça a importância do intercâmbio internacional de informações e do uso de ferramentas analíticas para antecipar riscos e aprimorar controles na origem.
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