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O Brasil e os Estados Unidos ampliaram a cooperação no combate ao tráfico internacional de armas e drogas por meio de um acordo entre a Receita Federal brasileira e a agência de fronteiras americana (CBP). O projeto, chamado Mutual Interdiction Team (MIT), prevê ações conjuntas de inteligência e operações para interceptar cargas ilegais.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a parceria foi formalizada nesta sexta-feira (10/4) e integra a agenda bilateral discutida pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O foco principal é o reforço no monitoramento de rotas críticas, como a região da Tríplice Fronteira.
Compartilhamento de informações em tempo real
Um dos pilares do acordo é o Programa DESARMA, sistema da Receita Federal que permite o rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis. A ferramenta facilita o intercâmbio de dados entre os dois países sobre apreensões, incluindo tipo de material, origem e detalhes logísticos.
O sistema também emite alertas para autoridades aduaneiras quando são identificados produtos suspeitos. As informações compartilhadas abrangem exportadores, remetentes e outros envolvidos nas operações, dentro dos limites dos acordos internacionais.
A Portaria RFB nº 663/26 regulamenta o compartilhamento de dados e ações coordenadas com a agência americana. O DESARMA pode ser usado em portos, aeroportos, remessas internacionais e operações especiais de fiscalização.
Resultados práticos da cooperação
Segundo o Ministério da Fazenda, o intercâmbio de informações já ajudou a identificar métodos de ocultação de armas e drogas. Partes de fuzis foram encontradas em equipamentos de airsoft, e entorpecentes estavam camuflados em embalagens de ração animal.
Nos últimos 12 meses, o sistema registrou 35 ocorrências, com apreensão de 1.168 peças de armas (cerca de 550 kg), principalmente enviadas da Flórida com declarações fraudulentas. Os dados permitem mapear padrões e conexões entre remetentes e destinatários.
No Aeroporto de Guarulhos, as apreensões de drogas saltaram de 89 kg em 2024 para 1.562 kg nos primeiros três meses de 2026. Houve mudança no perfil do tráfico, com maior uso de cargas e menos sofisticação na ocultação.
Integração com outras ações
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro para combater o crime organizado, com ênfase em inteligência, tecnologia e cooperação internacional. O acordo reforça a proteção das fronteiras e reduz a circulação de armas e drogas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participará dos Encontros de Primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington entre os dias 14 e 17 de abril, onde o tema deve ser discutido.
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