A mineradora Vale iniciará o bombeamento emergencial de água do rio Paraopeba para a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), após um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A medida busca evitar o risco de desabastecimento, já que um problema técnico limitou a operação do sistema de captação a 40% de sua capacidade prevista.
De acordo com informações do jornal O Tempo, a Vale deve iniciar imediatamente o bombeamento contínuo de água bruta para a Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Manso. A operação terá uma vazão limitada a 2 metros cúbicos por segundo (m³/s), conforme a demanda da Copasa, empresa responsável pelo tratamento e distribuição da água na região metropolitana.
A decisão foi tomada após estudos técnicos apontarem um risco de colapso estrutural da adutora caso o sistema opere acima desse limite. Essa falha técnica inviabiliza a entrega da capacidade plena de 5 m³/s que a Vale se comprometeu a construir em 2019, como parte das medidas de reparação pelo rompimento da barragem em Brumadinho.
“A celebração do acordo decorre de um problema técnico identificado em estudos de transientes hidráulicos realizados em janeiro de 2026. Os estudos apontaram que a operação do sistema em vazões superiores a 2 m³/s apresenta riscos de colapso estrutural da adutora. Isso inviabiliza a entrega imediata da capacidade plena de 5 m³/s que a Vale S.A. se obrigou a construir e entregar ainda em 2019, por força do Termo de Compromisso Águas (TC Águas), firmado como parte das medidas de reparação decorrentes do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho”, ressalta o Ministério Público.
‘Resposta institucional firme’
O procurador de Justiça Leonardo Castro Maia, Coordenador-Geral do Núcleo de Acompanhamento de Reparações por Desastres (Nucard) do MPMG, explicou que o acordo representa “uma resposta institucional firme e equilibrada diante de uma situação de urgência que afeta diretamente a vida de milhões de pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte”.
“Este termo garante à população o aporte hídrico suplementar e viável, sem abrir mão de nenhuma das obrigações que a Vale assumiu perante a sociedade mineira. O bombeamento provisório é uma etapa intermediária e não substitui a entrega da planta em plena capacidade – a Vale continua obrigada a realizar todas as obras de adequação e a entregar o sistema operando a 5 m³/s, conforme pactuado desde 2019. O MPMG seguirá fiscalizando cada etapa desse processo com o mesmo rigor que tem orientado nossa atuação desde o desastre de Brumadinho”, reitera Maia.
O termo foi assinado em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG). Também assinaram o documento a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a empresa de auditoria técnica independente Aecom do Brasil e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), formalizando a cooperação entre as instituições.
