O Circuito Gastronômico de Diamantina acontece até o dia 23 de maio e conta com a participação de 15 restaurantes locais. A iniciativa, que tem o apoio do Sebrae Minas, busca valorizar a chamada “cozinha garimpeira”, resgatando receitas e ingredientes históricos da região, ao mesmo tempo que incentiva a criação de pratos contemporâneos com novas abordagens.
A iniciativa envolveu um processo de consultoria e criação coletiva para que os estabelecimentos desenvolvessem pratos autorais. De acordo com informações do jornal O Tempo, o gerente regional do Sebrae Minas, Rogério Fernandes, afirma que trabalhar a gastronomia local é uma oportunidade e um desafio. “É uma oportunidade de resgatar saberes de séculos, mas também um desafio de encontrar um equilíbrio, porque há uma cultura alimentar muito rica que não pode ser desprezada”, afirma.
Fernandes destaca que o projeto vai além da experiência nos restaurantes e impacta a economia local. “Quando a gente trabalha a gastronomia, cria oportunidades para os estabelecimentos melhorarem sua gestão e seus produtos, o que gera emprego, atrai turistas e movimenta toda a cadeia. É um ciclo de prosperidade que começa na cozinha, mas se espalha por todo o entorno”, explica.
O movimento de valorização gastronômica inclui o fortalecimento dos restaurantes e o incentivo a produtores locais, uma vez que o aumento da demanda impulsiona a compra de insumos regionais. Segundo o Sebrae, o resultado é um ecossistema mais dinâmico, especialmente em cidades com vocação turística como Diamantina.
Tradição como ponto de partida
Um dos pilares do circuito é o resgate da ancestralidade alimentar de Diamantina. A chamada “cozinha garimpeira” busca referências que remontam ao período anterior à consolidação da cidade, ainda nos tempos de vilarejo. A proposta é trazer essas influências para o presente com novas abordagens e releituras nos pratos oferecidos.
“A gente não está criando do zero. Seria até uma ousadia fazer isso em uma cidade com tanta história. O que fazemos é dar condições para que os chefs criem releituras a partir de uma riqueza que já existe”, ressalta Fernandes. O processo criativo foi conduzido de forma colaborativa, envolvendo os chefs dos restaurantes e consultores especializados.
A proposta foi permitir que cada estabelecimento desenvolvesse pratos com identidade própria, respeitando seus ingredientes e sua história. “É um trabalho coletivo. O conhecimento fica com as equipes, a criatividade é estimulada e continua depois que o projeto termina. Isso faz com que os restaurantes sigam inovando, sem perder a conexão com o tradicional”, completa.
Além de valorizar a cultura local, o circuito também foca na experiência gastronômica como estratégia para atrair e fidelizar visitantes. A intenção é que o turista não apenas conheça a cidade, mas tenha motivos para retornar e explorar outras atrações e distritos, vivenciando novas experiências a cada visita.
