A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realizou uma reunião em 24 de abril para apresentar esclarecimentos sobre as ações adotadas após a interdição do prédio do Colégio de Aplicação João XXIII. O encontro, no auditório das Pró-Reitorias, reuniu a Administração Superior da UFJF, o Diretor de Ensino do Colégio, coordenadores, representantes da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal, pais, responsáveis e estudantes.
A reunião foi solicitada pela Comissão da Câmara Municipal após um encontro com pais e responsáveis em 14 de abril. Na ocasião, foi debatida a suspensão das aulas do Ensino Fundamental desde 23 de fevereiro, quando a cidade foi afetada por fortes chuvas.
Participaram da reunião a reitora da UFJF, professora Girlene Alves, o vice-reitor, professor Telmo Ronzani, e outros membros da administração. Pela Câmara Municipal, estiveram presentes a vereadora Laís Perrut e os vereadores Maurício Delgado e Cida Oliveira.
Medidas Adotadas pela UFJF
A reitora iniciou a reunião apresentando um panorama das ações desenvolvidas desde as chuvas de 23 de fevereiro, que resultaram na decretação de estado de calamidade pública no município. Desde então, o prédio do colégio permanece parcialmente interditado pela Defesa Civil devido a riscos em investigação.
Entre as medidas adotadas pela UFJF, conforme a instituição, estão o início das aulas do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no campus universitário, em março. Também foram realizados estudos técnicos na encosta próxima ao colégio, conduzidos pela Pró-Reitoria de Infraestrutura.
Inicialmente, os estudos abrangeram cerca de 30 metros, enquanto outros 110 metros permanecem em análise quanto aos riscos de deslizamento. Essa situação impede a utilização do espaço, pois são necessárias mais informações para garantir a segurança.
Foi destacado o chamamento público para identificar imóveis aptos a receber, temporariamente, todas as atividades do colégio, que atende mais de mil estudantes. O diretor de Ensino do Colégio João XXIII ressaltou a necessidade de um cuidado especial com os alunos do Ensino Fundamental, a partir dos 6 anos, exigindo condições adequadas de segurança.
De acordo com a UFJF, cinco propostas foram apresentadas no chamamento público, sendo duas classificadas. O processo está na fase de interposição de recursos, com término em 27 de abril. O procurador da Universidade informou que visitas técnicas já foram realizadas nos imóveis classificados para verificar aspectos estruturais e funcionais.
A reitora Girlene Alves afirmou que a UFJF tem trabalhado intensamente desde 23 de fevereiro para viabilizar a retomada das aulas. Ela destacou o compromisso em encontrar um espaço que atenda às necessidades pedagógicas e de trabalho dos estudantes, considerando a gravidade do evento climático.
Esclarecimentos à Comunidade
Durante o encontro, pais e responsáveis apresentaram questionamentos, principalmente sobre a comunicação com a direção do colégio, impactada pela interdição do prédio. O Diretor de Ensino reconheceu as dificuldades e informou que o acesso restrito ao espaço limitou o contato direto com os pais. A Reitoria da UFJF se comprometeu a viabilizar um canal de comunicação mais eficiente com pais, responsáveis e estudantes.
Sobre a definição de uma data para o retorno das aulas, a Administração da UFJF explicou que, no momento, não é possível estabelecer um prazo. Isso se deve às etapas ainda em andamento da escolha de um local temporário para o colégio. O pró-reitor de Gestão e Finanças, prof. Elcemir Cunha, destacou que a definição de uma data poderia gerar expectativas não confirmadas devido a questões jurídicas envolvidas nos processos.
A UFJF informou que, caso os imóveis em análise não atendam integralmente às necessidades, poderá ser considerada a contratação de espaços em mais de um local. Esta alternativa seria para o funcionamento do colégio, embora a primeira opção seja um único espaço que atenda a toda a instituição.
Em relação à reposição das aulas, foi esclarecido que o planejamento dependerá de discussão entre a direção, os docentes e o conselho de unidade, após a definição do retorno das atividades. Somente a partir dessa etapa será possível estabelecer as novas datas do calendário acadêmico.
A UFJF mantém diálogo com o Ministério da Educação para avaliar alternativas que envolvem o Colégio. Entre as possibilidades em estudo está a reorganização do calendário acadêmico, mediante análise do impacto da calamidade pública no percurso formativo dos alunos. Mais informações podem ser encontradas no site da UFJF: http://www2.ufjf.br/noticias/2026/04/27/ufjf-se-reune-com-vereadores-pais-e-responsaveis-para-tratar-da-situacao-do-colegio-joao-xxiii/
