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O seminário “30 anos de cotas eleitorais de gênero no Brasil” debateu nesta terça-feira (28) os avanços e desafios da participação feminina na política. O evento ocorreu no auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados, em Brasília, com participação de autoridades, parlamentares e especialistas.
De acordo com o Ministério das Mulheres, a iniciativa marca três décadas da primeira eleição com cotas de gênero no país, realizada em 1996. O seminário integra o projeto de pesquisa “Mulheres, direitos e políticas de cotas legislativas no Brasil entre 1988 e 2022”, coordenado pela professora Clara Araújo (UERJ/Nuderg).
Na abertura, a Secretária Nacional do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, destacou que a sub-representação feminina na política é uma questão de Estado. “Há barreiras históricas e estruturais que demandam ações de governo”, afirmou. Ela também ressaltou os efeitos da violência política de gênero.
Desafios para a paridade
A deputada federal Marina Silva lembrou o processo histórico das cotas, mas afirmou que a presença das mulheres ainda está longe da paridade. “A roda da política ainda gira para manter as mulheres fora dos espaços de poder”, disse.
A advogada Edilene Lôbo, ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral, defendeu a necessidade de avançar para a paridade. “Não estamos falando de um tema periférico, mas de um compromisso com uma democracia plena”, afirmou.
A deputada Iza Arruda, coordenadora do Observatório Nacional da Mulher na Política, destacou os obstáculos enfrentados pelas mulheres. “Barreiras geográficas, sociais e estruturais ainda tentam nos invisibilizar”, disse.
Próximos passos
A deputada Erika Hilton, presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, afirmou que os resultados das cotas ainda são insuficientes. “Vivemos uma política majoritariamente misógina, com violência política de gênero”, ressaltou.
As parlamentares presentes reforçaram a necessidade de debater a reserva de cadeiras no Legislativo. O evento segue nesta quarta-feira (29) com discussões sobre reformas políticas e mecanismos de equidade.
O seminário é promovido pelo Observatório Nacional da Mulher na Política, NUDERG/UERJ e Instituto Alziras, com financiamento do Ministério das Mulheres.
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