Estudante da Unifal-MG investiga memória indígena no Sul de Minas com foco no Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite e no impacto da Usina de Furnas

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Um projeto desenvolvido por uma estudante do curso de Letras – Língua Portuguesa (Bacharelado) da UNIFAL-MG visa valorizar a memória indígena no Sul de Minas. O trabalho busca dar visibilidade ao Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI), localizado em Carmo do Rio Claro-MG.

Júlia Vitória Mendonça – estudante do curso de Letras – Língua Portuguesa (Bacharelado) e autora do projeto. (Foto: Arquivo Pessoal)

A proposta foi desenvolvida por Júlia Vitória Mendonça como trabalho de seminário da disciplina “Estudos de Literatura e Cinema”. A disciplina é ministrada pelo professor Ítalo Oscar Riccardi León. O projeto integra literatura, cinema documental e memória coletiva.

A estudante analisou o documentário Histórias de Quando a Água Chegou, uma produção vinculada a um projeto de extensão da Universidade. Ela buscou entender como narrativas orais e audiovisuais preservam histórias locais, especialmente as afetadas pela construção da Usina de Furnas.

Segundo Júlia Mendonça, o trabalho está conectado ao território e às memórias da comunidade. “A escolha deste tema partiu de um interesse pessoal e afetivo, pois trata-se de um projeto que pretendo continuar desenvolvendo, ligado diretamente à história das minhas terras e às memórias de pessoas da região. Registrar e analisar essas narrativas é uma forma de valorizar as vozes locais que muitas vezes são esquecidas ou silenciadas”, explica.

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Para o desenvolvimento do projeto, Júlia Mendonça coletou depoimentos e investigou a memória indígena na região. Ela também analisou o papel de espaços culturais, como o museu, na preservação dessas histórias.

Memória indígena e vestígios do território

Antônio Adauto e sua filha, Suzana de Araújo Leite Hervas, durante a exibição do documentário no auditório Leão de Faria e homenagem que ele recebeu na sede da UNIFAL-MG, em dezembro de 2016. (Foto: Arquivo/Dicom)

A pesquisa da estudante focou na trajetória de Antônio Adauto Leite, responsável pelo acervo do museu. Ele dedicou mais de cinco décadas à coleta de vestígios arqueológicos. Esses vestígios foram encontrados principalmente nas margens da represa de Furnas.

De acordo com informações da Unifal, Júlia Mendonça relata na descrição do trabalho: “O acervo do museu foca na cultura dos índios Catu-auá/Cataguases e Tupi-guaranis da região, tendo sua origem diretamente ligada à trajetória de vida de seu fundador, Antônio Adauto Leite, cuja atuação foi fundamental para a preservação da memória indígena regional”.

O museu possui cerca de 3 mil peças, incluindo potes cerâmicos, utensílios e ferramentas. Esses objetos evidenciam a presença de povos indígenas na região antes das transformações causadas pela construção da usina.

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Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI) em Carmo do Rio Claro-MG. (Foto: Arquivol/Júlia Mendonça)

Esses vestígios, conforme a análise do trabalho, servem como testemunhos materiais de comunidades. Parte da história dessas comunidades foi apagada pela inundação. O trabalho de Júlia Mendonça inclui registros fotográficos do acervo e depoimentos.

Entre os depoimentos, está o de Suzana Araújo Leite Hervas, filha de Antônio Adauto Leite. Ela é responsável pela formação do espaço histórico. “O legado do meu pai é de um valor imensurável”, afirma Suzana Leite. “Guardar memórias é ter conhecimento da nossa história, da nossa evolução. É algo essencial”, ressalta.

Ítalo Oscar Riccardi León – professor do curso de Letras, responsável pela disciplina que originou o projeto. (Foto: Arquivo Pessoal)

O professor Ítalo León, responsável pela disciplina e coordenador do documentário de 2015, destaca o trabalho de Júlia Mendonça. Ele afirma que o projeto vai além da proposta acadêmica e representa um reencontro com as raízes da estudante.

“Com espírito sensível, emotivo e de pesquisadora, a Júlia elaborou uma proposta de investigação que busca não apenas ressignificar o vídeo/documentário, mas também abordar questões relacionadas à memória e à sua preservação”, relata o professor.

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Ele completa: “O trabalho dá continuidade e amplia as narrativas originadas pela inundação da barragem de Furnas, incluindo aspectos ligados à presença indígena na região, muitas vezes pouco estudada ou até esquecida, e ao papel do Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI) como espaço de resgate”.

O material completo do projeto está disponível em Tributo e memória: O Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI), localizado no Sul de Minas Gerais.

(Fotos: Arquivo/Júlia Mendonça)

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