Professoras da Unimontes e da UFVJM visitam Portugal para atividades de pesquisa sobre rotas da escravidão

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As professoras Alba Valéria Niza Silva, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), e Roberta Maria Ferreira Alves, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), realizaram atividades de pesquisa em Portugal. Ambas são doutoras em Letras – Literaturas de Língua Portuguesa.

As atividades estiveram vinculadas ao projeto “(Re)ssignificando rotas da escravidão e suas representações: diálogos literários como forma de recuperação histórica e construção de identidades”. Este projeto é financiado pela Fapemig e possui uma abordagem interdisciplinar e comparatista.

A iniciativa articulou literatura, memória, patrimônio cultural, colonialidade e estudos afro-diaspóricos. As ações ocorreram entre os dias 06 e 20 de abril, nas cidades de Lisboa, Coimbra, Porto e arredores.

A missão científica em Portugal visa ampliar o “corpus documental e bibliográfico” do projeto. Isso é feito por meio de visitas técnicas a arquivos, bibliotecas, universidades, museus e espaços patrimoniais.

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Esses locais estão diretamente relacionados à história da expansão ultramarina portuguesa e às rotas da escravidão atlântica. O roteiro também permitiu a observação crítica de cidades e monumentos como lugares de memória.

Nesses locais, narrativas oficiais e silenciamentos históricos coexistem. O itinerário não se limitou ao deslocamento geográfico, mas funcionou como procedimento metodológico de investigação.

Nesse processo, a circulação, a leitura do espaço e a pesquisa documental se tornaram instrumentos de produção de conhecimento. De acordo com informações da Unimontes, a pesquisa busca uma compreensão aprofundada das representações históricas.

Itinerário

Em Tomar, conhecida como “Cidade dos Templários”, as docentes aprofundaram a análise do local. Elas o consideraram um território de memória, marcado pelo patrimônio templário, diversidade religiosa e permanências históricas.

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Em Coimbra, cidade da Universidade de Coimbra, uma das instituições de ensino superior mais antigas da Europa, as professoras a compreenderam como um centro de conhecimento. Um espaço de circulação de ideias e um núcleo intelectual historicamente ligado à formação do Império Português.

Isso se deu a partir da articulação de patrimônio universitário, cultura escrita e pesquisa acadêmica contemporânea. Em Braga, a cidade mais antiga de Portugal, conhecida como “Roma Portuguesa”, as professoras ampliaram o tempo dedicado à biblioteca.

Essa opção metodológica consistente transcendeu o percurso patrimonial, assumindo um caráter investigativo. A Universidade do Minho foi reafirmada como polo estratégico para o desenvolvimento científico do projeto.

Em Barcelos, capital do artesanato e berço da lenda do Galo de Barcelos, no distrito de Braga, as docentes observaram a coexistência produtiva de patrimônio medieval, religiosidade, artesanato e cultura popular.

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Este local é considerado um espaço de reflexão sobre identidade cultural, tradição inventada e a circulação contemporânea da memória. O roteiro das docentes também incluiu o Porto, cidade conhecida pelas pontes e pela produção do Vinho do Porto.

No Porto, universidade, bibliotecas, livrarias e patrimônio histórico formam um ecossistema cultural integrado. A pesquisa acadêmica desenvolvida na Universidade do Porto articulou-se à observação dos circuitos urbanos da memória e da cultura escrita.

Em Lisboa, o trajeto focou na zona de Belém, um território simbólico para a compreensão da expansão marítima portuguesa. Também foi analisada a monumentalização imperial e as políticas contemporâneas de memória.

O percurso articulou arquitetura manuelina, museologia naval, gastronomia patrimonializada e espaços públicos de contemplação. Isso permitiu uma leitura crítica das narrativas históricas relacionadas aos “Descobrimentos”.

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Patrimônio artístico, narrativa imperial, consumo cultural e revisões críticas do passado coexistem ali. As pesquisadoras também visitaram, em Lisboa, o Arquivo Histórico Ultramarino e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Além disso, foram visitadas as cidades de Sintra e Queluz, na área metropolitana da capital portuguesa. Esses locais oferecem uma leitura das transformações do poder monárquico português e suas permanências simbólicas.

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