A Inteligência Artificial (IA) é utilizada em diversas aplicações, como previsão de rotas, bloqueio de fraudes bancárias e auxílio médico na identificação de padrões em exames. Essas aplicações envolvem o processamento de dados. Profissionais são responsáveis por desenvolver e gerenciar esses sistemas, que tomam decisões com impacto social.
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) criou o curso de Bacharelado em Inteligência Artificial. O curso foi estabelecido em dezembro de 2025, como parte do programa Universidades Inovadoras do Ministério da Educação (MEC). A graduação busca integrar o conhecimento dos estudantes às demandas do mercado de trabalho.
De acordo com a coordenadora do curso, Elaine Ribeiro de Faria Paiva, a IA possui natureza interdisciplinar. O desenvolvimento de sistemas inteligentes requer compreensão do domínio de aplicação, seja Direito, Economia ou Saúde. A matriz curricular do curso foi elaborada para ir além do ensino técnico.
A matriz curricular incentiva a aplicação dos conhecimentos em contextos reais e diversos. As atividades e projetos foram planejados para promover o diálogo com outros campos. Disciplinas como aprendizado de máquina, visão computacional, processamento de linguagem natural e cibersegurança são orientadas para a solução de problemas cotidianos.
O profissional formado pela UFU em IA necessitará de base em matemática, estatística e computação. Essa base é fundamental para compreender os modelos que sustentam a Inteligência Artificial. No entanto, essa é apenas uma parte da formação oferecida pelo curso.
A capacidade reflexiva é um diferencial do profissional. Paiva destaca que a formação humanística é um pilar da nova graduação. “Mais do que o domínio técnico, destaca-se como característica central desse profissional a capacidade de atuar de forma crítica e interdisciplinar”, afirma a coordenadora.
A grade curricular aborda temas como ética, governança de dados, legislação e os impactos sociais da tecnologia. A proposta é que os estudantes tenham contato com a prática desde o início do curso. A Faculdade de Computação (Facom/UFU), onde o curso de IA está inserido, possui um ambiente de pesquisa ativo na área.
Este ambiente de pesquisa é integrado a programas de pós-graduação e servirá de base para os ingressantes. “Desde os primeiros períodos, os estudantes terão a oportunidade de se inserir nesses grupos de pesquisa, participando de projetos de Iniciação Científica”, exemplifica Paiva.
O contato inicial com a ciência visa ajudar o aluno a compreender o papel da pesquisa na resolução de falhas estruturais da sociedade. O contexto regional de Uberlândia, com seu ecossistema de inovação, também é relevante. A cidade abriga empresas e startups que utilizam inteligência artificial.
O curso prevê parcerias, visitas técnicas e atuação em empresa júnior para aproximar os alunos do mercado. Isso busca desmistificar a ideia de que a criação de tecnologias de ponta é inatingível. “Ao combinar base teórica sólida com experiências aplicadas e interação com o ecossistema de inovação, o curso contribui para formar alunos capazes de transformar conhecimento em soluções reais”, complementa a docente.
Paiva explica que o objetivo da UFU é formar agentes de transformação, não apenas preencher vagas no mercado. Espera-se que a atuação desses futuros profissionais seja direcionada para os desafios contemporâneos. “Os egressos não apenas ocuparão posições estratégicas no mercado, mas também contribuirão diretamente para a solução de problemas complexos e de impacto social”, conclui.
