**Protocolo da Cultura Viva para Situações de Catástrofes é Apresentado**
O Protocolo da Cultura Viva para Situações de Catástrofes Naturais, Climáticas e Pandêmicas foi apresentado no quinto dia da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). A iniciativa visa fortalecer o papel de organizações culturais em crises socioambientais.
De acordo com o Ministério da Cultura, o protocolo surgiu após a experiência de coletivos durante as chuvas de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro, que deixaram mais de 900 mortos. Na época, pontos de cultura ofereceram acolhimento, alimentos e atividades artísticas às comunidades afetadas.
A proposta, construída coletivamente, já conta com a adesão de 78 organizações. Ela sistematiza práticas de territórios para atuação em emergências, incluindo comunicação, apoio técnico e valorização de saberes locais.
Dos desastres à soberania alimentar
Durante a apresentação, a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, destacou que o protocolo vai além de tragédias climáticas. “Estamos falando de emergência, mas também de soberania alimentar e mudança de consciência”, afirmou.
Ela citou o caso de Aracruz, ainda afetado pelo rompimento da Barragem do Fundão em 2015, que contaminou o Rio Doce e prejudicou a subsistência local. “Há comunidades que não pescam mais e enfrentam dificuldades no plantio”, disse.
Processo de escuta
Aparecida Alcântara, da Associação Caiçara de Promoção Humana, explicou que o protocolo foi construído a partir de escutas em 20 estados e diferentes biomas. Pontos de cultura relataram experiências como cozinhas comunitárias, apoio psicossocial e preservação ambiental.
“Queremos estruturar nossos espaços para situações de emergência, sem substituir a Defesa Civil”, afirmou Aparecida. Rackson Coelho, do Instituto Maria Conga (PR), destacou a importância da saúde mental durante a pandemia.
Espaço de acolhimento
Ricardo Callegari, do Pontão de Cultura do Sudoeste do Paraná, relatou a atuação após um tornado em 2025. “Fizemos 6 mil marmitas por dia e criamos uma ciranda para acolher crianças”, contou. Uma cartilha foi produzida para ajudar os menores a lidar com o trauma.
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, povos tradicionais e gestores públicos de todo o Brasil. O evento é realizado pelo Ministério da Cultura, governo do Espírito Santo e prefeitura de Aracruz, com apoio de instituições como Sesc e Unesco.
[SAIBA MAIS sobre o Protocolo da Cultura Viva](https://www.redenacionaldepontosdeculturaememoriarurais.com/protocolodaculturaviva).
