O fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, foi encontrado morto em seu apartamento no último sábado (23). De acordo com informações do jornal O Tempo, o atestado de óbito aponta cardiomiopatia hipertrófica como causa da morte, uma condição de enrijecimento do músculo do coração. Testemunhas relataram que o atleta fazia uso de anabolizantes e também de insulina para ganho de massa muscular.
Médicos especialistas afirmam que o uso de medicamentos como a insulina, sem prescrição e para fins estéticos, pode causar danos à saúde. Em um áudio que circulou na internet, um amigo de Gabriel afirmou que o fisiculturista usou a substância na sexta-feira (22), um dia antes de ser encontrado sem vida. O uso pode ter sido um fator para a morte.
A médica endocrinologista Érica Oliveira Caetano da Silva explica o motivo do uso. “Alguns fisiculturistas utilizam insulina porque ela é um hormônio com importante efeito anabólico, facilitando a entrada de glicose, aminoácidos e outros nutrientes nas células musculares, favorecendo o armazenamento de energia e a síntese proteica. Em teoria, isso poderia contribuir para ganho de massa muscular e recuperação após os treinos. No entanto, esse uso não é indicado para fins estéticos e envolve riscos importantes à saúde”.
A endocrinologista Bruna Maria, outra especialista ouvida, detalha os riscos do hormônio. “O problema é que a insulina não é um recurso estético inocente. Estamos falando de um hormônio vital, extremamente potente e delicado. Pequenos erros de dose, alimentação ou timing podem provocar consequências gravíssimas. Diferente de muitos hormônios utilizados na performance, a insulina pode levar rapidamente a uma emergência médica potencialmente fatal. Por isso, o uso fora das indicações médicas é considerado extremamente arriscado”, explica.
Insulina e Hipoglicemia
O uso da insulina em pessoas que não estão em tratamento para diabetes pode causar hipoglicemia grave, que ocorre quando a glicose no sangue cai abaixo do normal. “A insulina reduz os níveis de glicose no sangue de forma muito eficiente. Em pessoas sem diabetes, o organismo já produz insulina na medida adequada para manter o equilíbrio metabólico. Quando alguém aplica insulina sem necessidade clínica […] existe um risco grave”, explica Bruna Maria.
A médica também afirma que muitos atletas começam a utilizar esses medicamentos sem supervisão profissional, baseando-se em depoimentos de outras pessoas. “Isso aumenta ainda mais o perigo, porque cada organismo responde de maneira diferente. Fatores como sensibilidade individual à insulina, quantidade de carboidrato ingerida, intensidade do exercício físico, jejum prolongado e associação com outras drogas podem alterar completamente a resposta metabólica”, detalha a especialista.
Os casos de hipoglicemia podem acontecer de forma rápida. Inicialmente, a pessoa pode apresentar suor frio, tremores, taquicardia e confusão mental. Os sintomas, no entanto, podem evoluir para convulsões, perda de consciência, coma e até a morte se não houver intervenção imediata. “A insulina é uma medicação de altíssimo risco quando utilizada fora do contexto médico adequado”, reafirma a médica endocrinologista Bruna Maria.
O caso Gabriel Ganley
O fisiculturista Gabriel Ganley foi encontrado morto em seu apartamento na capital paulista no sábado (23), após a família não conseguir contato com ele desde a quinta-feira (21). Um amigo arrombou a porta do imóvel com ajuda de funcionários do condomínio e encontrou o atleta já sem sinais vitais. A análise preliminar da polícia não identificou sinais de agressão ou luta corporal.
Um áudio atribuído a um amigo do atleta circulou nas redes sociais. Nele, a pessoa afirma que Gabriel teria aplicado insulina na noite de sexta-feira (22) e sofrido uma queda brusca nos níveis de glicose enquanto dormia. “Ele aplicou insulina ontem à noite. E começou a ter hipoglicemia. E, nessa, ele dormiu. Ele dormiu, não acordou mais”, diz a gravação.
Quem foi Gabriel Ganley
Gabriel Ganley acumulava mais de 2,1 milhões de seguidores nas redes sociais e era associado ao “fisiculturismo natural”. Ele treinava desde os 15 anos de idade e se preparava para competir no Musclecontest Brasil, evento marcado para julho. Em junho do ano anterior, Gabriel falou publicamente sobre o uso de hormônios para competir na categoria Open, a principal do fisiculturismo profissional.
Relatos anteriores indicam que o influenciador já havia mencionado episódios de “confusão mental” após utilizar insulina. O corpo de Gabriel foi cremado em uma cerimônia fechada para familiares e amigos nesta segunda-feira (25).
