Entre os dias 29 de maio e 3 de junho, a Galeria da Faculdade de Artes Visuais (FAV) da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, recebe a exposição “O silêncio e o refúgio: subjetividades femininas”. A mostra reúne 11 obras das artistas Gabriela De Laurentiis, Marcia Bianchi, Mariana Cortes, Raisa Maria e Tatiana Ferraz.
A curadoria é de Marina Cerchiaro. A exposição utiliza múltiplas linguagens artísticas, como vídeo, fotografia, instalação, performance, escultura e cerâmica. O objetivo é debater o espaço doméstico e o silêncio a partir de perspectivas feministas.
A mostra propõe uma reflexão sobre o silêncio não como passividade, mas como uma dimensão complexa de resistência, cuidado e agenciamento político das mulheres. Ela subverte a visão tradicional do silêncio, apresentando-o como um espaço de cuidado, sobrevivência e escuta de si.
O silêncio também é retratado como resistência infrapolítica. Com base em teóricas decoloniais como Maria Logones e Maria Lazreg, a curadoria propõe pensar as mulheres em condição de silêncio como agentes ativas. A ausência da voz pública não significa a inexistência de diálogo ou ação.
Na exposição, o silêncio estratégico surge, por exemplo, no vídeo-performance “As sereias não cantaram”, de Gabriela De Laurentiis. Neste contexto, o silêncio é uma ferramenta diante da recusa masculina à escuta do feminino.
As obras também investigam a conexão entre o corpo e a natureza, além de debaterem as ambiguidades do espaço doméstico. O corpo feminino e o meio natural aparecem entrelaçados em trabalhos como “Ensimesmamento”, de Mariana Cortes, e “Fragmentos amorosos”, de Gabriela De Laurentiis.
Essas obras invocam diálogos íntimos com o próprio corpo e funcionam como lugares de proteção, refúgio e cura. A ideia de refúgio também é abordada como uma travessia transformadora e lírica em “O azul vidrado”, de Marcia Bianchi.
Dialogando com o conceito de Virginia Woolf sobre a necessidade de as mulheres terem um “teto todo seu” para criar, as artistas Tatiana Ferraz e Raisa Maria mostram as contradições do lar. Suas obras revelam que a casa pode ser tanto abrigo quanto cárcere.
Elas explicitam os perigos a que as mulheres estão sujeitas nos espaços privado e público. Para tensionar essas violências e fragilidades, Raisa propõe uma casa desmontável. Tatiana concebe habitações com espinhos e estruturas cortantes.
Essas representações aludem aos perigos a que as mulheres estão sujeitas tanto no espaço privado quanto público. Assim como o silêncio, a casa pode ser para as mulheres tanto refúgio quanto cárcere.
Em cartaz no Edifício EMAC (Escola de Música e Artes Cênicas) no Campus Samambaia, em Goiânia, a exposição tem entrada gratuita. Ela pretende ampliar os debates sobre gênero e espacialidades.
Segundo a curadora Marina Cerchiaro, o objetivo final é trazer a relevância de agenciamentos menos visíveis, subjetivos e poéticos. Estes agenciamentos são capazes de destacar o poder de resiliência e a força das mulheres.
Informações adicionais e contatos com a organização podem ser obtidos pelo telefone (62) 3521-1445.
Sobre a mostra
O projeto da exposição “O silêncio e o refúgio: subjetividades femininas” foi contemplado pelo Edital da Galeria da FAV – UFG em 2025. Ele faz parte das atividades desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa “O Espaço Delas: mulheres artistas que atuam no campo tridimensional” (CNPq).
O grupo é sediado no Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia (Iarte/UFU). A liderança é das professoras Tatiana Sampaio Ferraz (UFU) e Marina Mazze Cerchiaro (Universidade de São Paulo).
O grupo reúne pesquisadoras, artistas e docentes vinculadas a diferentes instituições brasileiras. Ao aproximar produção artística e pesquisa acadêmica, a mostra propõe um diálogo entre arte contemporânea, feminismos e espacialidades.
A exposição amplia debates sobre subjetividade, cuidado, memória e formas de existência elaboradas a partir das experiências das mulheres.
