O Plano Local de Ação Climática (PLAC) de Varginha-MG foi elaborado com diagnóstico técnico, participação comunitária e apoio da UNIFAL-MG, campus Varginha. O documento, lançado em maio, apresenta 31 ações para preparar o município diante dos impactos das mudanças climáticas. As ações incluem gestão de resíduos, arborização urbana, educação ambiental e estruturação da defesa civil.

A bióloga Jaara Alvarenga Cardoso Tavares, coordenadora de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMEA), coordenou a elaboração do PLAC. A UNIFAL-MG participou do grupo gestor local por meio das professoras Kellen Rocha de Souza e Olga Alicia Gallardo Milanés, ambas do ICSA, que atuaram em todas as etapas do processo.
A equipe utilizou a metodologia do Projeto CLIMATIVA para desenvolver o plano. Este projeto é uma iniciativa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) e a Embaixada da França.
O CLIMATIVA é uma plataforma que auxilia municípios de pequeno e médio porte a enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Sua metodologia inclui leitura técnica do território, análise de riscos climáticos, oficinas participativas e priorização de ações para o desenvolvimento de planos locais.
Em Varginha, o processo envolveu reuniões, oficinas técnicas e comunitárias entre outubro e dezembro de 2025. As oficinas abertas ao público ocorreram nos auditórios da UNIFAL-MG e do CEFET. Também foram realizadas oficinas específicas com grupos de mulheres atendidas em Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
Diagnóstico técnico e escuta comunitária
As oficinas comunitárias contaram com a participação de moradores de 34 bairros de Varginha. Nessas atividades, a população pôde identificar problemas em seu território, discutir riscos climáticos e contribuir para a definição de temas prioritários para o plano.
De acordo com a professora Kellen Souza, a presença da Universidade foi fundamental. Ela destaca que a UNIFAL-MG “foi fundamental na mobilização dos atores sociais, garantindo uma ampla participação comunitária, além de contribuir tecnicamente com o diagnóstico e seleção das ações”.
A professora Kellen Souza também destacou que os problemas apontados no diagnóstico incluíram gestão de resíduos, ecossistemas, arborização urbana e educação ambiental. A percepção dos moradores confirmou os pontos identificados nas avaliações técnicas, demonstrando alinhamento entre as diferentes fontes de informação.
Ela afirmou que “a percepção dos moradores sobre os riscos climáticos foi bem semelhante às avaliações técnicas e aos dados obtidos através do diagnóstico ambiental”. Isso reforça a validade das informações coletadas para a elaboração do plano de ação climática.
O PLAC definiu 31 ações organizadas em 13 temas, com base no diagnóstico e na priorização participativa. Os temas abrangem defesa civil, mobilidade, infraestrutura, planejamento urbano, gestão de dados, segurança alimentar, saúde, orçamento sustentável, ecossistemas, educação ambiental, resíduos, emissão de gases de efeito estufa e espaços públicos.
Para o período entre 2026 e 2030, estão previstas ações como mapeamento de áreas de risco de enchentes e inundações, elaboração ou atualização de planos de contingência, e criação de diretrizes para áreas sujeitas a inundação. Também se incluem a elaboração de plano municipal de transporte ou mobilidade e a implementação de ações voltadas a pedestres e ciclistas.
Outras ações incluem a elaboração de um Plano Diretor de Drenagem com soluções baseadas na natureza, o mapeamento de áreas verdes, árvores, nascentes e áreas de preservação permanente. A ampliação de ações de educação ambiental, a organização gradual da infraestrutura de coleta e separação de resíduos e a elaboração de inventário municipal de emissão de gases de efeito estufa também estão no plano.
Lançamento do Plano Local de Ação Climática
A elaboração do Plano Local de Ação Climática teve início em agosto de 2025 e foi concluída com a apresentação pública em maio de 2026. O processo totalizou 10 meses de atividades, envolvendo diversas etapas e a participação de múltiplos atores.
O lançamento oficial do documento ocorreu em 28 de maio, no auditório do campus Varginha da UNIFAL-MG. A cerimônia contou com a presença de representantes do poder público, da Universidade e da sociedade civil, destacando a colaboração entre as instituições.
Evento de lançamento do documento no auditório do campus Varginha. (Fotos: Arquivo/Grupo Gestor)
Entre os presentes estavam o secretário municipal de Meio Ambiente, Cláudio Abreu, a diretora do campus Varginha, professora Gislene Araújo Pereira, e o presidente do Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente de Varginha (CODEMA), Lucas Bonifácio. Outras autoridades e participantes envolvidos na construção do plano também compareceram.
Com o lançamento do PLAC, o desafio é transformar as ações previstas em políticas públicas, programas e intervenções concretas. A professora Kellen Souza enfatiza a necessidade de planejamento e compromisso contínuo para alcançar esses objetivos no município.
Ela ressalta que “Muitos são os problemas enfrentados por diversas cidades e sua adaptação às mudanças climáticas requer planejamento e comprometimento do poder público, das autoridades políticas e de toda a sociedade em geral”. Ela complementa que “O primeiro passo é o reconhecimento dos problemas e formulação das ações necessárias, o que foi feito no PLAC via uso da plataforma CLIMATIVA”.
O plano está disponível para consulta na página web da Prefeitura de Varginha, neste link: https://www.varginha.mg.gov.br/arquivos/plac-varginha-2026_28081129.pdf
