A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou dados consolidados da última edição do Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism). O seminário ocorreu em 1º e 2 de julho, reunindo cerca de 140 professores e representantes de escolas públicas e particulares no Anfiteatro do Instituto de Ciências Humanas (ICH) e online.
A Coordenação Geral de Processos Seletivos (Copese) organizou a divulgação dos números. Foram apresentados dados e análises de desempenho dos candidatos nos três módulos do programa e por disciplina. Discussões sobre os conteúdos das avaliações, organizadas por áreas do conhecimento, também foram realizadas.
A pró-reitora de Graduação, Katiuscia Antunes, afirmou que o seminário é uma oportunidade de aproximação entre a Universidade e a educação básica. Segundo ela, o evento contribui para o aperfeiçoamento do processo seletivo.
Antunes destacou que as avaliações induzem mudanças curriculares. “Esse seminário se torna muito significativo e inovador, porque buscamos um diagnóstico qualitativo. É reforçar o compromisso da Universidade com as escolas por meio do diálogo, tendo a possibilidade de olhar para o processo seletivo com cuidado”, disse.
As provas discursivas de Física e Matemática apresentaram o menor desempenho entre os participantes, independentemente da rede de ensino. No Módulo I, 65,52% dos candidatos zeraram as questões abertas de Física na última edição do Pism. Em Matemática, o percentual foi de 53,72%.
No Módulo II, Física, Matemática e Química concentraram os maiores percentuais de notas zero. Os índices foram de 56,48%, 52,69% e 50,38% dos candidatos, respectivamente. No Módulo III, Filosofia registrou a maior taxa de itens zerados, com 41,93% dos candidatos.
Matemática e Física seguiram com 37,80% e 36,19% de notas zero no Módulo III. Professores presentes na reunião indicaram que o pouco contato dos candidatos com Sociologia e Filosofia, cobradas apenas no Módulo III, contribui para o baixo desempenho. O conteúdo programático é considerado complexo para o tempo disponível.
Diagnóstico sobre zeros resulta em mudanças já neste ano
De acordo com a UFJF, a análise da Copese revelou que muitos candidatos eram eliminados por zerar algum conteúdo nas provas discursivas do Módulo III. Para a edição deste ano, a regra foi modificada.
Será eliminado o candidato que obtiver nota zero em uma mesma disciplina nos três módulos, considerando provas objetivas e discursivas. O coordenador da Copese, Diogo Tourino, explicou que a alteração visa equilibrar o processo de avaliação, preservando a trajetória do estudante.
Em contraste com o desempenho em Exatas, Geografia apresentou o melhor resultado médio nas avaliações discursivas dos módulos I e II. No Módulo III, os melhores desempenhos foram em Língua Portuguesa e Literatura.
A prova de Geografia dos últimos anos foi elogiada pelo coordenador de ensino do Colégio Machado Sobrinho, Marquinhos Dutra. Outro recorte divulgado pela Copese analisou o desempenho dos candidatos por rede de ensino de origem.
Estudantes das redes federal e particular obtiveram médias superiores às dos candidatos da rede estadual. Excluindo notas zero e considerando a mediana 3, as médias nas redes particular e federal variaram entre 1,11 (Física) e 2,86 (Literatura).
Entre os estudantes da rede estadual, as médias variaram entre 0,3 (Física) e 2,11 (Geografia). O coordenador da Copese, Diogo Tourino, afirmou que o objetivo é utilizar os dados para análise e melhoria do processo.
Candidatos, independentemente da rede de ensino, apresentam melhor desempenho em questões objetivas do que em discursivas. A Universidade não planeja eliminar as provas abertas, que são consideradas uma característica positiva do processo, segundo Tourino.
Espaço para avaliação e aperfeiçoamento
A iniciativa do seminário foi avaliada positivamente pelos participantes. Representantes das escolas expressaram satisfação com a aproximação e escuta por parte da Universidade.
Michele Resende, professora de Português e Literatura da Escola Estadual Governador Juscelino Kubitschek, destacou o impacto do programa seriado. Ela defendeu uma revisão do conteúdo programático para aproximá-lo da realidade das escolas públicas.
A educadora informou que seus alunos obtêm melhores resultados no Pism do que no Enem. “Tivemos uma média, em 2025, de 13 alunos do nosso terceiro ano do ensino médio aprovados pelo Pism, enquanto pelo Enem foram apenas dois ou três”, revelou a professora.
Resende considera que a carga horária e o currículo limitam a preparação específica para o processo. “Tentamos valorizar as questões relacionadas ao Enem e ao Pism, mas, mesmo assim, temos um currículo engessado. Então isso complica muito. O Pism acaba virando um ‘algo a mais’, um currículo a mais”, lamentou.
Professores e representantes de escolas particulares elogiaram a abertura para o diálogo e aprimoramento. As sugestões incluíram a adequação do conteúdo programático de Física e Matemática, a inclusão de Sociologia e Filosofia nos módulos I e II, e a interlocução entre disciplinas.
Erros nos gabaritos também foram mencionados. Os presentes solicitaram o retorno da possibilidade de as escolas apresentarem recursos e mais espaço para justificativas nos formulários. As sugestões foram registradas pelo coordenador da Copese.
O maior processo seletivo seriado do Brasil
Criado em 1999, o Pism consolidou-se como o maior processo seletivo seriado do país, com cerca de 45 mil candidatos. Segundo Diogo Tourino, o programa é referência para instituições interessadas em adotar esse modelo de seleção.
“Estamos apenas atrás da Fuvest em número de candidatos, mas eles realizam um vestibular tradicional. Podemos nos considerar o maior processo seletivo seriado do Brasil. Além disso, somos referência para outras instituições que desejam implementar esse modelo”, afirmou Tourino.
Atualmente, o Pism é aplicado em cinco cidades: Juiz de Fora, Governador Valadares, Petrópolis, Três Rios e Muriaé. Os estudantes realizam uma prova ao final de cada ano do ensino médio, acumulando pontuação ao longo dos três módulos.
A soma das notas ao término do terceiro ano define a classificação para ingresso na UFJF. Os módulos possuem pesos diferentes: o primeiro vale até 120 pontos com peso 2, o segundo também 120 pontos com peso 3, e o terceiro até 140 pontos com peso 5.
O total possível é de 1.300 pontos. As provas são compostas por questões objetivas e discursivas, sem redação. No terceiro módulo, as questões discursivas são específicas da área de conhecimento do curso escolhido.
As inscrições para a edição 2027 iniciam em 27 de julho. Para mais informações, acesse o edital do Pism 2027. Outras informações podem ser encontradas em https://www2.ufjf.br/copese/.
