Fabiano Domingues/PBH
agenciamg-232

Belo Horizonte lança programa Cidade Viva para combater mudanças climáticas

Advertisement

Belo Horizonte lançou o programa BH Cidade Viva – A natureza protegendo o nosso futuro, em 7 de maio, no Auditório JK da Prefeitura. A iniciativa visa reduzir alagamentos, amenizar ilhas de calor e recuperar áreas verdes por meio de soluções baseadas na natureza.

A cerimônia contou com a presença do prefeito Álvaro Damião e do secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro. Representantes de parceiros internacionais, como Ingrid Simon, co-diretora do C40 Cities Finance Facility (CFF), e a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), também estiveram presentes.

O prefeito Álvaro Damião destacou a importância da parceria para as estratégias de enfrentamento das intempéries climáticas. Ele mencionou a cooperação internacional que viabilizará financeiramente o projeto Cidade Viva, focado em “desconcretar Belo Horizonte”.

Damião ressaltou a natureza preventiva do programa. Ele explicou que a água da chuva deve encontrar grama e terra em vez de escoar diretamente para bueiros, minimizando a necessidade de infraestrutura de contenção.

Advertisement

Durante o evento, foram assinados o decreto que institui o Programa BH Cidade Viva e o Memorando de Entendimento entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Cities Finance Facility (CFF). A cooperação internacional já garantiu mais de R$ 15 milhões em doações.

Esses recursos serão destinados à elaboração de estudos, projetos e modelagens. O objetivo é orientar a implantação das intervenções previstas pelo programa, fortalecendo a adaptação climática e o planejamento urbano sustentável da capital.

As primeiras intervenções do BH Cidade Viva ocorrerão em Venda Nova, beneficiando mais de 60 mil moradores. O projeto inclui a implantação de um parque ciliar agroflorestal com mais de 350 mil metros quadrados.

Este parque recuperará áreas às margens dos cursos d’água e criará um modelo de geração de renda para a comunidade. O espaço será usado para o cultivo de hortas, frutas e outras espécies agroflorestais, cuja produção poderá ser comercializada pelos moradores.

Advertisement

O programa também prevê quase 13 quilômetros de rotas verdes. Essas rotas terão mais árvores, sombra e espaços qualificados para pedestres, tornando os percursos entre casa, escola e equipamentos públicos mais seguros e confortáveis.

Quatro equipamentos públicos receberão intervenções: duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEF), uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Lagoa.

Os pátios desses locais serão desconcretados e transformados em áreas verdes, com jardins, telhados verdes e sistemas de captação de água da chuva. Serão implantados mais de 37 mil metros quadrados dessas estruturas.

Essas estruturas armazenarão e ajudarão a infiltrar a água das chuvas no solo, reduzindo alagamentos e amenizando o calor. As intervenções tornarão esses espaços mais frescos, resilientes e preparados para enfrentar ondas de calor.

Advertisement

O programa também contempla a implantação de dois campos de futebol hídricos. Esses campos são projetados para absorver a água das chuvas e reduzir o escoamento superficial na região.

Primeiro jardim de chuva em Venda Nova marca lançamento do programa

A Escola Municipal Professor Moacyr Andrade, em Venda Nova, receberá o primeiro jardim de chuva implantado pelo BH Cidade Viva. A estrutura foi desenvolvida colaborativamente por estudantes, pesquisadores e técnicos da Prefeitura de Belo Horizonte.

Esta estrutura representa a primeira entrega física do programa e marca o início das intervenções voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas nos territórios. O jardim de chuva é mais do que uma solução para drenagem urbana.

A partir dessa experiência, o BH Cidade Viva começará a implantar ações para criar rotas mais arborizadas e confortáveis. Essas rotas conectarão casas, escolas, unidades de saúde, equipamentos de assistência social e outros espaços públicos.

Advertisement

A estratégia busca reduzir as ilhas de calor, ampliar as áreas verdes e aumentar a infiltração da água da chuva no solo. O objetivo é construir uma cidade mais resiliente, saudável e preparada para os impactos das mudanças climáticas.

Além das intervenções em Venda Nova, o BH Cidade Viva prevê a implantação de corredores ecológicos nas vias definidas como conexões verdes pelo Plano Diretor. Também estão previstos parques ciliares e sistemas de drenagem sustentável.

O programa inclui ciclovias, estruturas para captação de águas pluviais em escolas e unidades de saúde, recuperação de nascentes e a transformação de pátios escolares em áreas verdes. Um modelo de governança participativa será estabelecido.

Este modelo envolverá moradores, escolas, universidades e instituições parceiras na implantação e manutenção das intervenções. O projeto, execução, cuidados e monitoramento do jardim de chuva contam com a parceria da comunidade escolar.

Advertisement

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) – Campus Santa Luzia e estudantes internacionais do Programa Delfín também são parceiros. O espaço funcionará como um laboratório a céu aberto.

Este laboratório monitorará a qualidade da água, reduzirá o escoamento superficial, avaliará a diminuição da temperatura e acompanhará o aumento da biodiversidade local. Servirá como referência para futuras intervenções do BH Cidade Viva.

O jardim de chuva da Escola Municipal Professor Moacyr Andrade foi desenvolvido de forma participativa com a comunidade escolar. Reúne professores, estudantes, pesquisadores e técnicos da Prefeitura em um modelo de construção coletiva.

Com a própria comunidade assumindo o protagonismo dos cuidados e da manutenção do espaço, a iniciativa consolida um modelo de resiliência climática, educação ambiental e participação cidadã. Este modelo poderá ser replicado em outras regiões da cidade.

Advertisement

Os jardins de chuva são soluções baseadas na natureza projetadas para captar, armazenar e infiltrar a água das chuvas diretamente no solo. Além de contribuir para a redução de alagamentos, funcionam como filtros naturais.

Eles ajudam a melhorar a qualidade da água, reduzem as ilhas de calor, ampliam as áreas verdes e favorecem a biodiversidade urbana. Essas ações tornam Belo Horizonte mais preparada para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *