Leandro Gladstone
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Seminário em Belo Horizonte discute inclusão de crianças no planejamento urbano e ações climáticas

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Um seminário sobre “Infâncias e Emergência Climática: Da Pesquisa Acadêmica à Prática Municipal” foi realizado em 12 de junho pela Secretaria Municipal de Política Urbana (SMPU) de Belo Horizonte. O evento abordou a inclusão de crianças no planejamento urbano e em ações de adaptação às mudanças climáticas. Participaram representantes do poder público, pesquisadores e profissionais de projetos urbanos.

O seminário discutiu métodos para coletar e considerar as experiências e opiniões infantis no planejamento de espaços públicos. Foram debatidos os cuidados necessários para garantir a participação segura e respeitosa das crianças. Também se discutiu como transformar relatos, desenhos e outras formas de expressão infantil em informações para políticas públicas.

A importância da articulação entre diferentes setores da sociedade para considerar a perspectiva da primeira infância em projetos urbanos e de adaptação climática foi destacada. A iniciativa envolve áreas como Planejamento Urbano, Meio Ambiente, Obras e Educação, além de instituições de pesquisa e cooperação internacional.

A proposta central é aproximar a pesquisa acadêmica de experiências práticas. O objetivo é que as crianças sejam consideradas não apenas como público das políticas urbanas, mas como participantes ativas na compreensão e transformação dos espaços da cidade.

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BH Cidade Viva

Um dos exemplos apresentados foi o programa BH Cidade Viva, da Subsecretaria de Planejamento Urbano (Suplan), vinculada à SMPU, lançado em julho. A primeira ação do programa foi a criação de um jardim de chuva na Escola Municipal Professor Moacyr de Andrade, em Venda Nova.

Este projeto foi desenvolvido com a participação de estudantes, pesquisadores e técnicos da Prefeitura. As crianças participaram do desenho e planejamento do espaço, que utiliza elementos naturais para auxiliar na absorção e infiltração da água da chuva no solo.

O programa BH Cidade Viva prevê outras ações em Venda Nova, como um parque ciliar agroflorestal com mais de 350 mil metros quadrados. Também estão planejados quase 13 quilômetros de rotas verdes e a transformação de pátios de quatro equipamentos públicos em áreas verdes. As intervenções devem beneficiar diretamente mais de 60 mil moradores.

Participação infantil no planejamento

María Fernanda Godoy, assessora técnica sênior do Cities Finance Facility (CFF) e representante da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), apresentou experiências latino-americanas de participação infantil diante da emergência climática. Ela também é pesquisadora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

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O debate abordou a relação entre infâncias, planejamento urbano, emergência climática e governança participativa. Foram discutidas diferentes ferramentas para promover a participação das crianças nos processos de transformação dos territórios.

A cidade vista pelas crianças

Luciana Bizzotto, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Infância e Educação Infantil (Nepei) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou a plataforma e o diagnóstico “A Cidade e a Criança”. Esta iniciativa investiga como as crianças utilizam e percebem os espaços públicos e seus deslocamentos pela cidade, incluindo os trajetos entre casa e escola.

Foi destacado como essas experiências ajudam a identificar problemas, necessidades e possibilidades de melhorias nos espaços urbanos. A proposta é ampliar o olhar e a compreensão sobre a cidade, considerando as diversas experiências de quem vive e circula nela diariamente. Ouvir as percepções infantis pode contribuir para criar espaços públicos mais seguros, acessíveis, acolhedores e adequados às diferentes formas de viver em Belo Horizonte.

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