Material foi entregue pela historiadora Carolina Saporetti e por um dos fundadores do Movimento Gay de Minas (MGM), Oswaldo Braga (Foto: arquivo pessoal)
agenciamg-292

UFJF recebe doação de acervo histórico do Movimento Gay de Minas

Advertisement

O Movimento Gay de Minas (MGM) doou seu acervo documental à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) este mês. O material, que inclui fotografias, fitas VHS e mini DV, recortes de jornais, revistas e catálogos, está disponível para pesquisa e consulta. Este acervo foi reunido desde 1997, abrangendo um período de quase três décadas.

A preservação da memória LGBTQIAPN+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, não-binárias) é considerada importante para combater o apagamento histórico. Além disso, visa legitimar direitos e fortalecer a identidade coletiva da comunidade. Vivências e expressões de gênero e sexualidade foram historicamente marginalizadas e silenciadas.

Rafael Barbosa Fialho Martins, professor da UFJF e articulador do processo, destaca a importância do acervo para pesquisas e projetos de extensão (Foto: arquivo pessoal)

Advertisement

De acordo com a UFJF, o acervo será gerido pelo Centro de Conservação da Memória (Cecom) da Universidade. A intenção é que o material seja utilizado para pesquisas, projetos de extensão, disciplinas e iniciação científica. O acesso será disponibilizado para a comunidade em geral, não apenas para a UFJF.

Rafael Barbosa Fialho Martins, professor da Faculdade de Comunicação Social e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Gênero, Sexualidade, Educação e Diversidade (Gesed) da UFJF, afirmou: “A intenção é que esse acervo, que será gerido pelo Centro de Conservação da Memória da Universidade, o Cecom, seja agora utilizado para pesquisas, projetos de extensão, disciplinas e iniciação científica. Ficará à disposição não só da UFJF, mas também da comunidade como um todo. Todas as pessoas interessadas, que queiram conhecer, terão acesso. Já vamos iniciar um projeto de extensão para organizar esse acervo”.

A ideia de a Universidade salvaguardar o acervo do MGM surgiu durante a Rainbow Fest deste ano. Na ocasião, o Gesed realizou o seminário “Quem conta nossa história? Narrativas e memórias da população LGBTQIAPN+”, entre os dias 5 e 7 de agosto. Este evento foi o ponto de partida para a formalização da doação.

Martins explicou o objetivo do evento: “O objetivo do evento foi levar um pouco das discussões da Universidade para os movimentos sociais e somar forças. Foi uma tentativa de incentivar reflexões sobre a questão da memória. Para nós, população LGBT+, a memória é uma temática urgente. Somos uma comunidade que, até pouco tempo atrás, na geração da AIDS, foi dizimada. Só agora as primeiras gerações estão tendo direito à velhice, por exemplo, não é? Esse debate sobre a memória está em alta e é muito necessário.”

Advertisement

Oswaldo Braga, um dos fundadores do Movimento Gay de Minas (MGM) e doador do acervo, compartilhou a avaliação. Ele ressaltou a importância do trabalho: “Como pioneiros nessa luta em Juiz de Fora e em Minas Gerais, damos muita importância para esse trabalho. Se esse material se perder, vai com ele também toda uma história que nos orgulha muito.”

Braga complementou: “A Universidade tem condições, tem recursos, para manter esse acervo e disponibilizá-lo para seus alunos, para os pesquisadores do Brasil inteiro, que tenham interesse em contar esse pedaço da história de Minas Gerais na luta pelos direitos da população LGBT+.”

Oswaldo Braga acrescentou que, com o acervo resguardado pela UFJF, Juiz de Fora será incluída no contexto histórico nacional da luta por direitos LGBTQIAPN+. Ele observou que a história do movimento LGBT+ é frequentemente concentrada no eixo Rio-São Paulo, com expansão para Belo Horizonte e Salvador.

Ele destacou: “Mas, no interior, nós, Juiz de Fora, assim como outras cidades, temos momentos de lutas, que precisam e são muito bacanas de serem estudados e inseridos no contexto histórico geral da história da população LGBT+ no Brasil.”

Advertisement

Doação foi realizada durante o Rainbow Fest, em Juiz de Fora (Foto: arquivo pessoal)

Centro de Conservação da Memória da UFJF

Carolina Martins Saporetti, historiadora e supervisora do projeto relacionado ao MGM no Centro de Conservação da Memória da UFJF, informou que o novo acervo estará disponível para consultas a partir do próximo mês. O trabalho inicial envolverá higienização e acondicionamento adequado do material.

Ela detalhou o processo: “Vamos iniciar o trabalho com esse acervo em setembro, com a chegada de novas bolsistas. Inicialmente, o acervo vai passar por uma higienização e por um acondicionamento adequado. A partir disso, a gente consegue disponibilizar para consulta. Vamos fazer o processo de catalogação. Concomitante a isso, e posteriormente também, o de digitalização.”

Advertisement

Saporetti acrescentou: “Então, os pesquisadores interessados podem entrar em contato com o Cecom, através do e-mail ou do WhatsApp, que a gente vê uma forma de atendê-los. A gente vai começar a trabalhar com o acervo em setembro, mas vai atender as demandas que surgirem antes mesmo do acervo estar todo higienizado e acondicionado.”

A historiadora também mencionou que o Cecom aguarda a chegada de outros arquivos relacionados à memória LGBT+. Isso inclui material sobre o concurso Miss Brasil Gay, tanto em Juiz de Fora quanto em Minas Gerais. O objetivo é preservar e difundir essa memória.

Ela concluiu: “O nosso principal objetivo, além de fornecer, de preparar essa documentação, conservar, fazer a guarda e disponibilizar para a consulta, é também difundir esse material, essa história, essa memória tão importante para a cidade e para Minas Gerais.”

Outras informações:

Advertisement

Grupo de Estudos e Pesquisas em Gênero, Sexualidade, Educação e Diversidade

Centro de Conservação da Memória (Cecom/UFJF)

Av. Getúlio Vargas, 763 – Centro, Juiz de Fora (entrada pela rua Floriano Peixoto s/n)

Horário de funcionamento: 7h às 16h

Advertisement

Whatsapp (32) 2102-6339 – cecom.procultura@ufjf.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *