Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, subtenente e primeira mulher trans da Polícia Militar de Minas Gerais, anunciou sua aposentadoria após 31 anos de serviço na corporação. Ela iniciou o processo de transição de gênero no ano passado, uma decisão que havia adiado por anos por receio de sofrer transfobia na instituição.
Ela ingressou na corporação em 1995, por meio do Curso de Formação de Sargentos Músicos, com o objetivo de melhorar sua condição de vida. Na época, ela se identificava como um homem gay. De acordo com o jornal O Tempo, a subtenente relatou que, por ter trejeitos considerados femininos, sofreu perseguições nos primeiros anos de carreira.
Apesar de ter conquistado o respeito de seus colegas de profissão ao longo do tempo, Juliana Vittoria adiou o início de sua transição por medo. O processo começou em segredo no ano passado, e ela comunicou sua decisão ao seu superior apenas uma semana antes de realizar um procedimento cirúrgico relacionado à transição.
A reação de seus colegas foi de acolhimento e apoio. Ao longo de sua carreira, a policial atuou na banda de música, em operações, patrulhamento, controle de rebeliões e blitz. Em sua última função, trabalhou em um programa de acolhimento psicológico destinado a policiais, bombeiros e seus familiares, encerrando sua trajetória na corporação.
