El Niño continuará ativo até dezembro afetando o clima para culturas de café e soja em Minas

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O fenômeno El Niño tem 100% de chance de continuar ativo no trimestre de outubro a dezembro, segundo previsões. Um boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta que o período deve começar com chuvas abaixo da média e calor acima do normal em grande parte do Centro-Oeste, Norte e norte de Minas Gerais, impactando culturas como café e soja.

De acordo com informações do jornal O Tempo, para os produtores de Minas Gerais, outubro é um período crítico. O solo seco e as temperaturas elevadas podem afetar a florada do café arábica e causar atrasos na semeadura da soja e do milho. A previsão indica que a chuva deve voltar de forma mais regular apenas a partir de novembro em parte do país.

A previsão do International Research Institute for Climate and Society (IRI), citada pelo INMET, aponta 100% de chance de El Niño no trimestre de outubro a dezembro. A probabilidade se mantém alta, em 87%, para o período de abril a junho do próximo ano, indicando que o fenômeno deve persistir durante o verão e parte do outono. As águas do Atlântico Tropical estão em neutralidade.

Café: calor e solo seco ameaçam a florada em Minas

Nas áreas de cultivo de café arábica, a combinação de calor e deficiência hídrica prevista para outubro pode comprometer a florada, segundo o INMET. Em Minas Gerais, a persistência do solo seco aumenta o risco de abortamento das flores e reduz o pegamento dos frutos. O trimestre deve registrar temperaturas de 1 °C a 2 °C acima da média no centro e norte do estado.

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O cenário parte de um setembro seco, quando o norte de Minas terminou o mês com menos de 15% de água no solo. A partir de novembro, a umidade deve se recuperar gradualmente. No norte do Espírito Santo, principal região produtora de café conilon, a previsão é de falta de água durante todo o trimestre, o que pode aumentar a necessidade de irrigação nas lavouras.

Soja e milho: semeadura depende da volta da chuva

Em Minas Gerais, as condições para a semeadura de soja e milho devem melhorar a partir de novembro, com chuvas mais frequentes. No entanto, no norte do estado e no Espírito Santo, a umidade do solo deve permanecer abaixo de 30% da capacidade, o que pode atrasar o plantio. O INMET recomenda que o plantio ocorra apenas com umidade adequada para evitar problemas na emergência das plantas.

Em Mato Grosso, o déficit hídrico e o calor em outubro elevam o risco de falhas na germinação e replantio da soja. Goiás e o Distrito Federal enfrentam um cenário semelhante para soja, milho e feijão de primeira safra. A exceção é o sul de Mato Grosso do Sul, onde o solo úmido favorece a semeadura. No Matopiba, o solo seco de outubro e novembro também eleva o risco para a soja.

Sul: excesso de chuva atrasa a colheita do trigo

Para a Região Sul, a previsão é de chuva acima da média, com volumes que podem superar em 100 mm o normal no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e partes do Paraná. Em outubro, o excedente de água pode passar de 200 mm em algumas áreas. Essa umidade excessiva reduz as janelas para a colheita de trigo, cevada e canola, segundo o INMET.

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O excesso de umidade também pode prejudicar o preparo do solo para a soja em áreas com drenagem deficiente. O INMET alerta para a maior frequência de tempestades, vendavais e granizo, eventos associados ao El Niño. Para o milho, embora a água seja suficiente, a cultura necessitará de sol durante as fases de pendoamento, floração e enchimento de grãos, previstas para novembro e dezembro.

Norte e Nordeste: seca e risco de incêndio

Quase toda a Região Norte deve ter chuva abaixo da média, com temperaturas até 2 °C acima do normal. Em Roraima, Amapá e partes do Amazonas e Pará, o solo deve permanecer com umidade abaixo de 30% da capacidade durante o trimestre. Esta condição pode dificultar o início do plantio da soja e mantém elevado o risco de incêndios em lavouras e pastagens.

No Nordeste, o solo deve ficar com menos de 20% de sua capacidade de água em quase toda a região nos próximos três meses. No semiárido, a falta de forragem e água para o rebanho exige o uso de reservas. O plantio de milho e feijão de sequeiro no sudeste do Piauí e no norte da Bahia depende da regularização das chuvas.

Setembro teve recorde de chuva em SP e seca no Nordeste

O trimestre se inicia após um mês de setembro marcado por extremos climáticos. Frentes frias resultaram em acumulados de chuva recordes para o mês em diversas localidades de São Paulo, como Iguape (454,2 mm) e a capital (324,6 mm). No Paraná, o município de Morretes registrou 462,4 mm. Em contraste, no interior do Nordeste, a maioria das áreas teve menos de 30 mm.

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No Sul, granizo e vendavais causaram perdas pontuais em culturas de inverno e verão. No semiárido e na região do Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia), o feijão e o milho de terceira safra sofreram com estresse hídrico. Já no Matopiba, o tempo seco favoreceu o encerramento da colheita do algodão, mantendo a boa qualidade da fibra, conforme dados do boletim do INMET.

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