Cinquenta e três profissionais da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte retornaram às salas de aula por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Quatro turmas foram criadas para atender esses trabalhadores, e outras duas estão em processo de abertura. Muitos dos alunos, que anteriormente atuavam como garis, foram readaptados para outras funções na SLU devido à idade.
A iniciativa visa a alfabetização e a obtenção do diploma do ensino fundamental, abrangendo do primeiro ao nono ano. Essa qualificação pode gerar ganhos financeiros por meio da progressão profissional. Os funcionários têm a oportunidade de estudar durante o horário de trabalho, recebendo lanche e transporte da unidade de trabalho até o local do curso. A duração da EJA varia de seis meses a quatro anos, dependendo do nível de formação de cada estudante.
O grupo da regional Barreiro é composto por 15 servidores. Na regional Centro-Sul, há 23 alunos, distribuídos nos turnos da manhã e da tarde. Uma turma adicional foi criada na sede da autarquia, com 15 estudantes. De acordo com informações da Prefeitura de Belo Horizonte, há previsão de criar mais duas turmas nas regiões Oeste e Pampulha, com o objetivo de proporcionar crescimento pessoal e capacitação aos servidores.
O professor Vilmar Martins da Silva, pedagogo e graduado em Letras pela Secretaria Municipal de Educação, leciona nesta etapa da EJA na SLU. Ele enfatiza que não há idade para aprender, buscando incentivar seus alunos. Com experiência no ensino de adultos, o educador observa que a matemática é um dos maiores desafios para a maioria dos estudantes. “É o terror de todo aluno. O projeto é bem interessante e percebo que estão todos muito interessados”, afirmou.
Raimundo Coelho da Silva, com 47 anos de SLU, relatou dificuldades anteriores com leitura e escrita. Ele percebe que o estudo está facilitando esse processo. “Não tinha muito o hábito de ler livros, mas percebo que o estudo abre a mente da gente; por isso, hoje, já consigo fazer uma leitura observando a pontuação de forma correta”, disse.
José Geraldo Moreira, gari de coleta há 30 anos e natural de Araçuaí, Minas Gerais, destacou a importância do conhecimento. “Se não fosse essa oportunidade, com certeza seria impossível seguir nos estudos, principalmente por conta do horário de trabalho. Até chegar em casa, eu não teria tempo algum”, ressaltou. Ele parou de estudar na terceira série do antigo ensino primário. “Fiquei órfão de pai e mãe ainda muito pequeno e a vida na roça não era fácil”, lembrou.
Mauricio Luiz Teixeira, com 46 anos de trabalho na SLU, mencionou a vantagem das aulas serem ministradas no período da tarde. Ele recordou que, há muitos anos, um projeto semelhante foi oferecido, mas as aulas começavam por volta das 18h, o que impossibilitava a participação devido ao horário de trabalho. “Como a aula começava por volta das 18h, não dava tempo, pois ainda estávamos na rua, realizando a coleta”, explicou.
O auxiliar de apoio operacional Mauro Libano de Paulo, há 31 anos na SLU, interrompeu os estudos no segundo ano primário. “Estou tendo uma nova chance agora, depois de muitos anos, o que é muito bom. Tinha dificuldade com a leitura da Bíblia, principalmente na igreja. Agora planejo, de acordo com meu desenvolvimento aqui, cursar e concluir o segundo grau”, declarou.
Luiz Fernando Menezes, há 40 anos na SLU e atualmente na Gerência Regional de Limpeza Urbana Leste, é pai de seis filhos, tem 14 netos e três bisnetos. “Eu parei de estudar muito novo, da sexta para a sétima série; nesse período, a escola mudou demais e a gente acaba esquecendo muita coisa”, comentou. A meta dele é “a graduação em Teologia e Administração após a conclusão da EJA”.
A gari Regina Rocha de Souza, com 40 anos de SLU, enfrenta dificuldades, especialmente em matemática, mas mantém o objetivo de obter o diploma. Ela valoriza o estudo como um meio de superação e realização pessoal. “Eu quero pegar o diploma e dizer a mim mesma que eu fiz, que aprendi, e poder ajudar também os meus netos”, afirmou.
EJA
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino no Brasil destinada a indivíduos que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade regular. Ela oferece a oportunidade de retomar os estudos, concluir o aprendizado em um período reduzido e obter certificação oficial, o que pode melhorar as oportunidades no mercado de trabalho.
Com este projeto, a Prefeitura de Belo Horizonte busca combater o analfabetismo e promover dignidade e novas perspectivas para os profissionais que contribuem para a cidade.
