Contagem aumenta leitos e reforça equipes devido ao aumento de casos respiratórios

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A Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, decretou situação de emergência em saúde pública após o aumento de casos de doenças respiratórias. A medida foi adotada depois que a cidade registrou quase 5 mil atendimentos por síndromes gripais, o que gerou sobrecarga nos serviços e levou à ampliação de leitos e reforço das equipes de saúde.

De acordo com informações do jornal O Tempo, o prefeito Ricardo Faria informou que a sobrecarga aumentou o tempo de espera e a ocupação dos leitos hospitalares. O município já contabiliza 304 casos graves e 17 mortes, número 55% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Cerca de 85% dos óbitos foram de pacientes idosos.

Para conter o avanço dos casos, a gestão municipal iniciou a ampliação da estrutura de atendimento. Foram disponibilizados mais 10 leitos de UTI pediátrica e reforçadas as equipes médicas e de outros profissionais nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A prefeitura também promove um Dia D de vacinação no próximo sábado (11/4) para ampliar a cobertura vacinal.

O secretário municipal de Saúde, Fabrício Simões, explicou que o cenário de 2026 se antecipou em relação a 2025 e apresenta um crescimento mais acelerado. “Em 2026, os casos começaram antes do período observado no ano passado e com aumento significativo. Isso eleva a pressão assistencial e exige uma resposta mais rápida da rede”, afirmou o secretário.

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Houve um aumento na procura por atendimento, especialmente nas unidades de urgência. Nas UPAs, o crescimento foi de cerca de 130% no atendimento geral e de 50% nos casos de sintomas respiratórios. No pronto atendimento pediátrico, a alta nos atendimentos por problemas respiratórios foi de 84%, conforme dados apresentados pela secretaria de saúde.

Crianças e idosos são os mais afetados

Os dados do município indicam que os casos mais graves têm atingido principalmente crianças pequenas e idosos. A alta taxa de ocupação dos leitos também é um ponto de atenção. O Centro Materno-Infantil, por exemplo, atingiu 100% de sua capacidade, com 40% dos leitos ocupados por pacientes com quadros respiratórios, o que demonstra a pressão sobre o sistema.

Diante do cenário, o município informou que já começou a ampliar a capacidade de atendimento com novos profissionais. “Já entrou uma leva de profissionais, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros e fisioterapeutas, e temos novos profissionais previstos para os próximos dias”, explicou a pediatra Renata Soares, diretora assistencial do complexo hospitalar de Contagem.

Os profissionais de saúde orientam a população a ficar atenta aos sinais de agravamento, principalmente em crianças. “Crianças com esforço para respirar ou retrações no corpo precisam ser levadas imediatamente para atendimento”, alertou a médica. Pacientes que buscam as unidades de saúde relatam longos tempos de espera e preocupação com a situação.

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Pacientes relatam demora e preocupação

Quem busca atendimento já percebe os efeitos da alta demanda. A cuidadora de idosos Bianca Tamissa Simões, de 28 anos, esteve na UPA JK e relatou a demora. Ela buscava atendimento por sintomas gripais há três dias. “Estou com falta de ar, dor no corpo… já tem uns três dias. Fui atendida antes, mas não melhorei”, contou.

A servente escolar Sirlene Aparecida, de 58 anos, também procurou atendimento com sintomas intensos. “Estou com muita dor no peito nas costas e tosse e já tem quatro dias que estou passando mal. Mal estou conseguindo ficar aqui sentada”, disse. Sobre o decreto de emergência, ela afirmou: “Isso é alarmante. A gente vem buscar melhora e acaba ficando com medo”.

Entre os pacientes, a preocupação também se reflete em atitudes de prevenção. O serralheiro Adair José dos Santos, de 49 anos, buscava atendimento por outro motivo, mas utilizava máscara na UPA. “Com esse surto, é melhor prevenir. Não estou gripado, mas tenho medo e é muito sério, me vacinei ano passado e aguardo esse ano novamente”, disse.

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