Paralisação pode afetar 154,6 mil alunos e impactar rotina dos pais em BH

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Uma paralisação total dos professores da rede municipal de Belo Horizonte está prevista para esta quinta-feira (16), com potencial para afetar mais de 154 mil alunos. A mobilização, que abrange as Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e o ensino fundamental, foi convocada pelo sindicato da categoria, que reivindica melhores condições de trabalho e reajuste salarial, gerando impacto na rotina de milhares de famílias.

De acordo com O Tempo, dados do sistema da Prefeitura de Belo Horizonte indicam que 154,6 mil estudantes estão matriculados na rede. Para as famílias, a suspensão das aulas reflete na desorganização da rotina e em dificuldades no trabalho. A jornalista Isadora Troncoso Doehler, mãe de uma aluna de 6 anos, relata que as paralisações têm sido frequentes, afetando o planejamento familiar.

“As paralisações têm ocorrido com uma frequência maior. Hoje, minha filha não teve aula de manhã. Ela faz escola integrada, então tem aula à tarde e o contraturno pela manhã”, afirma Doehler. Ela também aponta uma falha na comunicação com as famílias sobre os motivos das paralisações. “Fico sem entender por que eles estão paralisando. Isso não chega para a gente”, diz.

A rotina da família é alterada com a criança em casa, pois as refeições passam a ser preparadas pelos pais. A jornalista, que trabalha em regime híbrido, afirma que o home office se torna inviável. “Não consigo me concentrar. Fico por conta dela, enquanto tenta encontrar alguma atividade. […] Às vezes, preciso levá-la para reuniões”, conta, mencionando a divisão de tarefas com o marido.

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Pedro Veras, de 36 anos, representante de pais e pai de uma aluna de 6 anos, afirma que a sequência de paralisações gera insegurança. Ele recorda que, entre fevereiro e março, trabalhadores terceirizados ficaram 17 dias em greve. “Recebemos com muita tristeza a notícia de mais uma paralisação. É uma instabilidade constante. A gente não consegue programar o semestre”, declara.

Ele explica que a suspensão das aulas não corresponde a uma pausa no trabalho dos pais. “A escola entra em paralisação, mas o nosso trabalho não. A gente fica sem saber o que fazer com as crianças, dependendo de rede de apoio, vizinhos ou familiares”, diz. Veras também relata o desgaste psicológico e a tensão que a situação pode gerar no ambiente profissional.

Motivações e Reivindicações

A paralisação foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-REDE/BH). Conforme a entidade, a categoria reivindica melhorias nas condições de trabalho e cobra respostas da administração municipal. Entre as principais queixas estão a falta de professores, a sobrecarga de trabalho e a ausência de um índice de reajuste salarial para os profissionais da educação.

O sindicato também critica o que chama de “repasse de recursos públicos para empresas privadas e falta de diálogo da prefeitura com a categoria”. Há também denúncias de que trabalhadores terceirizados, como cantineiras e porteiros, estariam sem salário e benefícios como vale-alimentação e vale-transporte. As queixas apontadas pelo Sind-REDE/BH incluem a possível privatização da educação e o sucateamento da educação infantil.

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Programação e Posição da Prefeitura

A mobilização desta quinta-feira (16) prevê dois atos ao longo do dia. Às 9h, está programado um ato público de trabalhadores terceirizados em frente à Prefeitura de Belo Horizonte. Mais tarde, às 14h, será realizada uma assembleia geral dos trabalhadores concursados na Praça da Estação, que terá como pauta um indicativo de greve por tempo indeterminado.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que vem dialogando com as categorias de servidores desde o início do ano e que as propostas estão sendo analisadas. De acordo com O Tempo, a PBH também esclareceu que uma reunião com o SindREDE-BH foi realizada nesta terça-feira (14), dando continuidade às negociações entre as partes envolvidas no processo.

A prefeitura confirmou que foi comunicada oficialmente sobre a paralisação e que respeita o direito à livre manifestação. A Secretaria Municipal de Educação informou que atuará para minimizar os eventuais impactos da suspensão das atividades nas escolas da rede municipal de ensino da capital mineira.

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