Um levantamento da plataforma global Monster.com aponta que um em cada oito candidatos a vagas de emprego já menciona habilidades em Inteligência Artificial (IA) em seu currículo. O dado reflete a rápida incorporação do tema ao mercado de trabalho, embora a pesquisa também indique uma superficialidade na forma como essas competências são apresentadas pelos profissionais que buscam novas oportunidades no mercado.
De acordo com informações do jornal O Tempo, o crescimento na menção à IA é expressivo. Em 2023, apenas 4% dos currículos faziam referência à tecnologia. Em pouco mais de um ano, esse percentual quase triplicou, alcançando aproximadamente 13%. O movimento acompanha a popularização de ferramentas de IA generativa e a pressão por adaptação tecnológica em diversas áreas profissionais, conforme o levantamento da Monster.com.
Apesar do aumento, o relatório aponta um desalinhamento entre a intenção e a prática. A maioria das menções se concentra em termos genéricos, como “inteligência artificial” ou “IA generativa”, sem detalhar competências reais, ferramentas utilizadas ou a aplicação prática em projetos. Segundo a Monster.com, isso cria uma qualificação superficial que pouco contribui para diferenciar os candidatos no mercado de trabalho atual.
Desafios na Comprovação de Habilidades
“A adoção de IA implica investimento em infraestrutura, integração de dados e revisão de processos internos. Sem essa base consolidada, a demanda por especialistas tende a ser limitada. Por isso, a alfabetização digital aparece como uma prioridade mais ampla e imediata, funcionando como etapa preparatória para uma incorporação mais profunda da inteligência artificial”, afirma Andre Purri, CEO da HRTech Alymente.
Para a plataforma Monster.com, os conceitos básicos de IA lideram o crescimento de menções, enquanto competências mais avançadas permanecem sub-representadas. O cenário indica que, embora a inteligência artificial já seja vista como um requisito importante no mercado, ainda existe um caminho a ser percorrido entre citar o tema no currículo e demonstrar um domínio real e prático da tecnologia.
O dado mais relevante do levantamento é a ausência de experiência aplicada, um fator crucial em processos seletivos. Apenas uma minoria dos currículos menciona ferramentas específicas, frameworks ou metodologias ligadas à tecnologia. Na prática, o que se percebe é uma adoção mais discursiva do que técnica da inteligência artificial por parte dos candidatos, segundo a análise da plataforma.
