Três em cada dez adolescentes em MG são prejudicados pelo consumo de cigarros

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Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) indicam um aumento no consumo de cigarros, comuns e eletrônicos, entre adolescentes em Minas Gerais. Conforme o levantamento, realizado em 2024, quase três em cada dez jovens de 13 a 17 anos no estado já experimentaram o cigarro eletrônico. Especialistas apontam que o hábito, antes socialmente reprovado, tem ganhado nova aceitação, com riscos potencializados para essa faixa etária.

De acordo com informações do jornal O Tempo, o estudo do IBGE e Ministério da Educação aponta que 29,9% dos adolescentes mineiros de 13 a 17 anos já usaram vape, com o índice subindo para 31% em Belo Horizonte. O consumo de cigarro tradicional também é maior que a média nacional, atingindo 21,9% dos jovens no estado, contra 18,5% no Brasil.

Outra pesquisa, do Ministério da Saúde, revelou o primeiro aumento no consumo de cigarros em 20 anos, passando de 9,2% em 2023 para 11,5% em 2024. A alta mais expressiva foi registrada na faixa etária de 18 a 24 anos, na qual o percentual de fumantes dobrou, saltando de 6,6% para 13,2% no período analisado, conforme dados publicados pelo jornal O Tempo.

Relatos de jovens indicam que a iniciação ao fumo ocorre por influência social. A estudante Anna Laura Gomes, 25, começou aos 17 anos em encontros com amigos, e o uso se tornou diário aos 21. Outro caso, de uma jovem que começou aos 15, mostra a transição do cigarro de palha para o eletrônico como forma de pertencer a um grupo e a percepção de que o vício se instalou rapidamente.

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Deborah Carvalho Malta, professora da Escola de Enfermagem da UFMG, aponta dois fatores para este cenário: a estabilização do preço do cigarro nos últimos anos e a popularização do cigarro eletrônico. Segundo a especialista, a redução de campanhas de conscientização contribuiu para que o hábito voltasse a ser socialmente aceito, agora com uma nova apresentação que pode ter impactos ainda maiores na saúde.

Marketing impulsiona consumo de ‘vape’

Apesar de proibidos pela Anvisa, os cigarros eletrônicos são atrativos para os jovens. Erika Gisseth Leon Ramirez, professora da UFMG, adverte que eles podem ser mais prejudiciais que o cigarro tradicional. Isso ocorre porque a quantidade de nicotina é maior e sua composição química causa efeitos de dependência mais intensos e rápidos, tornando a abstinência mais nociva para o usuário.

Para a professora Erika, a Política Nacional de Controle do Tabaco, embora eficaz contra o cigarro tradicional, precisa de novos mecanismos de fiscalização para frear o consumo dos vapes. “A nossa preocupação agora é essa: são as cores, os sabores, o cheiro. A moda é usar vape. É achar que, por não ter fumaça e não ter cheiro, ele é menos danoso do que o cigarro branco”, afirma.

Deborah Carvalho Malta também destaca a atuação da indústria do tabaco em estratégias de marketing para o vape, incluindo o uso de influenciadores digitais. “São figuras públicas propagando informações falsas de que o cigarro eletrônico é seguro. É preciso ampliar as campanhas educativas, fechar perfis e estabelecer multas para quem vende um produto que é proibido e deve continuar sendo”, defende a especialista.

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Além dos riscos à saúde, os vapes representam um problema ambiental. Conforme Malta, as baterias de íon-lítio presentes nos dispositivos são de difícil controle em caso de incêndio e podem explodir. “O acúmulo desses equipamentos tem preocupado autoridades em várias partes do mundo”, diz. Este descarte inadequado gera um novo tipo de lixo eletrônico com componentes perigosos para o meio ambiente.

Políticas internacionais

No Reino Unido, o parlamento aprovou um projeto de lei que proíbe a venda de cigarros e vapes para qualquer pessoa nascida a partir de 1º de janeiro de 2009. A medida tem caráter permanente, impedindo que a geração atual de adolescentes compre legalmente esses produtos no futuro, mesmo após atingir a maioridade. A restrição se estende à compra em nome de terceiros.

A legislação britânica prevê multa de 200 libras (cerca de R$ 1.340) para infrações. Os recursos arrecadados serão destinados a ações de fiscalização da própria lei e a atividades de saúde pública. A lei também concede ao governo poderes para ampliar a proibição do fumo para áreas externas, como parques e proximidades de escolas e hospitais, segundo informações do jornal O Tempo.

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