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Uma organização criminosa investigada por extorsão sexual (sextortion) e lavagem de dinheiro movimentou R$ 4 milhões em apenas dois meses, segundo informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Polícia Civil do Paraná deflagrou a Operação Love Hurts nesta quinta-feira (21) para desarticular o grupo.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso fez mais de 20 vítimas em diferentes regiões do Brasil. Foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, com apoio das polícias civis do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Modus operandi do grupo
Segundo a Polícia Civil do Paraná, os criminosos atuavam com perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens. Um dos investigados se passava por médico oncologista em missão na Síria, usando fotos de terceiros já identificadas em golpes internacionais.
Após conquistar a confiança das vítimas com promessas de relacionamento, o grupo induzia o compartilhamento de imagens íntimas. Em seguida, passava a exigir dinheiro sob ameaça de divulgação do material. Uma das vítimas teve prejuízo de R$ 63,3 mil.
Estrutura da organização
O Ciberlab/MJSP identificou dois núcleos de atuação. O primeiro, com base na Nigéria, era responsável pelo contato inicial e extorsão. O segundo, no Brasil, cuidava da movimentação financeira, convertendo valores em criptoativos para lavagem de dinheiro.
As transferências das vítimas eram direcionadas para contas de brasileiras já relacionadas em outros boletins de ocorrência. Isso demonstrava a continuidade do esquema criminoso em vários estados.
Legislação e penalidades
Os investigados poderão responder por extorsão qualificada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.
A operação ocorre após a sanção de novas medidas de proteção à mulher contra violência digital, em 20 de maio de 2026. As mudanças ampliam mecanismos da Lei Maria da Penha.
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