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A Feira de Economia Criativa e Solidária, realizada durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura em Aracruz (ES), reuniu representantes de diversas culturas brasileiras. O evento, promovido pelo Ministério da Cultura, destacou saberes tradicionais, sustentabilidade e geração de renda por meio de artesanato, biojoias, culinária ancestral e produtos naturais.
De acordo com o Ministério da Cultura, a feira contou com a participação de povos indígenas, mestres da cultura popular e coletivos comunitários. Entre os expositores estava Marilda Tupixo, artesã Guarani da Aldeia Boa Esperança (ES), que apresentou biojoias feitas com sementes e madeira. “Tudo é feito com muito cuidado e respeito à natureza”, afirmou.
Marilda também exibiu instrumentos utilizados em rituais, como maracás e o petynguá (cachimbo tradicional). Segundo ela, cada objeto carrega significados ligados às tradições dos povos originários.
Produtos da Amazônia
Nara Brito, representante do Coletivo Mamorana (PA), levou à feira produtos artesanais e da bioeconomia amazônica. O grupo, certificado como Ponto de Cultura, reúne 48 mulheres que trabalham com crochê, costura e extração de óleos naturais.
Entre os destaques estavam o vinho de açaí e o óleo de pracaxi, usado para fins medicinais e cosméticos. “Todo o processo é artesanal, respeitando o tempo de fermentação e de prensa”, explicou Nara.
O coletivo também atua no empoderamento de mulheres em situação de vulnerabilidade. “Às vezes não têm material, então nós ajudamos e incentivamos para que possam empreender”, disse Nara.
Arte indígena
Nilson Wera Popygua, indígena Guarani de Aracruz (ES), apresentou a tradição da pintura corporal com tintas naturais de jenipapo e urucum. Segundo ele, os grafismos representam proteção espiritual e sabedoria ancestral.
“Cada traço possui um significado ligado à tradição Guarani”, afirmou Wera, que começou a desenhar a partir de seus próprios sonhos. As tintas podem durar até 15 dias na pele.
Cultura nordestina
Daniele Pereira, do coletivo Bruxas do Cangaço (SE), apresentou trabalhos ligados ao rap, Hip-Hop e literatura de cordel. O grupo, certificado como Ponto de Cultura, promove oficinas de escrita criativa e produção musical.
Daniele também lançou publicações sobre cultura popular e resistência feminina. “É importante romper ciclos que se repetem nas gerações”, disse ela, referindo-se às histórias de sua família.
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura foi realizada pelo Ministério da Cultura em parceria com o Governo do Espírito Santo, a Prefeitura de Aracruz e outras instituições.
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